terça-feira, 29 de outubro de 2019

O homem que plantava árvores



Em tempos de tantas tragédias ambientais, esta fábula de Jean Giono surgiu como um consolo. A edição linda e ilustrada da Editora 34 foi um presente à parte.
A história é muito simples, e talvez mesmo por isso, seja uma dessas leituras que são como um abraço e alimentam em nós um tantinho de esperança. Ao passar por um pequeno vilarejo, o narrador avista um homem que caminhava e plantava árvores. Era isso que fazia dos seus dias, apesar da sua idade, ainda encontrava-se em forma. O lugar já estava bem deserto e sem árvores, não havia mais trabalho por ali e as pessoas saíam em busca de outras opções. Mas o homem continuava caminhando todos os dias, retirando as bolotas de carvalho do bolso e plantando fileiras e mais fileiras do que um dia seriam árvores, se vingassem.
A presença daquele homem ali chama a atenção do narrador, que dele se aproxima e com quem conversa. A história daquele homem que plantava árvores apesar da devastação ao redor despertava mesmo a curiosidade do narrador. Anos depois, ao retornar ao vilarejo, o narrador não pode deixar de notar a mudança na paisagem. A vegetação ali havia se transformado. E o homem continuava por ali, caminhando todos os dias e plantando suas árvores, em sua persistente determinação em fazer sua parte, apesar de.
Na última vez que o narrador ali regressa, anos depois, depois da grande guerra, encontra o cenário transformado. Ali havia uma floresta, que ninguém sabia como havia brotado ali e era digna de investigação. O narrador então sabe que o velho, agora com a idade bem mais avançada, se não tivesse morrido, era o responsável por tudo aquilo. 
Uma história que poderia ter sido totalmente inventada, não fossem as histórias tão inspiradas nas vidas que nos rodeiam, como os leitores poderão ver no prólogo do livro, sobre o qual não comentarei, que é para não tirar o encanto e a surpresa. Apenas digo que vale a pena.


GIONO, Jean. O homem que plantava árvores. Trad. Cecília Ciscato e Samuel Titan Jr. São Paulo: Editora 34, 2018.

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