terça-feira, 20 de julho de 2010

Um velho que lia romances de amor



Um pequeno grande romance, é o que posso dizer de "Um velho que lia romances de amor". Com um título que desperta a curiosidade do leitor e que representa um pouco da ternura que podemos encontrar nas páginas dessa história, Luis Sepúlveda, escritor chileno, nos presenteia com um protagonista singular e realmente apaixonante, que um dia se deparou com a literatura e se apaixonou pelas histórias. Mas não qualquer história, apenas histórias de amor.

O livro tem como pano de fundo a tragédia da devastação ambiental e nos faz refletir sobre o avanço insensato da civilização sobre a Natureza, já que toda a história se passa em plena Floresta Amazônica. 
Eu realmente me encantei pelo livro, por conseguir passar uma ternura e uma nostalgia pela sabedoria dos mais velhos, que hoje em dia quase sempre não é mais respeitada; por essa sabedoria antiga e quase intuitiva que existia antigamente de coexistir, homem e natureza, em um mesmo território, cada um respeitando seu poder e sua força; mas principalmente me encantei pela forma como o Luis Sepúlveda consegue descrever esse encantamento pela literatura.

"Como fazia parte do primeiro turno, o velho tomou posse da lamparina. Seu companheiro de vigília o olhava, perplexo, percorrendo com a lupa os signos ordenados no livro.
- É verdade que você sabe ler, compadre?
- Um pouco.
- E o que está lendo?
- Um romance. Mas fique quieto. Quando você fala a chama se move e as letras ficam dançando.
O outro se afastou para não incomodar, mas era tanta a atenção que o velho dispensava ao livro que não suportou ficar à margem.
- De que se trata?
- Do amor.
Diante da resposta do velho, o outro se aproximou com interesse renovado.
- Não me goze. Com fêmeas bonitas, fogosas?
O velho fechou o livro de repente, fazendo vacilar a chama da lamparina.
- Não. Trata-se de outro amor. Do que dói."

Luis Sepúlveda. Um velho que lia romances de amor. Relume Dumará, 2006. 136 páginas.

Link para o filme "Um velho que lia romances de amor"

2 comentários:

Maria Fernanda Probst disse...

Acho bonito esse amor que dói.

Anônimo disse...

LEIA! Livro: O Jogo da Amarelinha, de Júlio Cortáza