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sábado, 26 de julho de 2014

Adélia.

Alvará de Demolição

O que precisa nascer
tem sua raiz em chão de casa velha.
À sua necessidade o piso cede,
estalam rachaduras nas paredes,
os caixões de janela se desprendem.
O que precisa nascer
aparece no sonho buscando frinchas no teto,
réstias de luz e ar.
Sei muito bem do que este sonho fala
e a quem pode me dar
peço coragem.

Adélia Prado. A duração do dia. Rio de Janeiro: Record, 2010. p.37


quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Coração disparado

Para encerrar o ano (será que amanhã eu vou querer escrever aqui? não sei...) vou citar Adélia Prado, que tem o coração disparado, feito os nossos, quase sempre cheios de esperança. E que para o desejo de nosso coração o mar continue sendo sempre só uma gota.

"Ser brasileiro me determina de modo emocionante

e isto, que posso chamar de destino, sem pecar,

descansa meu bem-querer.

Tudo junto é inteligível demais e eu não suporto.

valha-me noite que me cobre de sono.

O pensamento da morte não se acostuma comigo.

estremecerei de susto até dormir.

E no entanto é tudo tão pequeno.

Para o desejo do meu coração

o mar é uma gota."

Adélia Prado. O coração disparado. Record, 1978.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Filandras

"Hoje estou melancólica e suspirosa como minha mãe, choveu muito, a água invadiu este porão de lembranças, bóiam na enxurrada a caminho do rio. Deixo que naveguem, pois não as perderei. O rio é dentro de mim".

Adélia Prado. Filandras. Rio de Janeiro: Record, 2008. pág. 39


***
Do Houaiss:

Filandras:
1 filamentos extensos e muito delgados
2 finos filamentos das teias de aranha
3 riscas filamentosas de certos tipos de mármore
4 fios brancos presentes nas chagas do gado cavalar
5 folhas marinhas que se prendem às quilhas das embarcações