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sábado, 7 de dezembro de 2013

O Testamento de Maria


"He was the boy I had given birth to and he was more defenceless now than he had been then. And in those days after he was born, when I held him and watched him, my thoughts included the thought that I would have someone now to watch over me when I was dying, to look after my body when I had died. In those days if I had even dreamed that I would see him bloody, and the crowd around filled with zeal that he should be bloodied more, I would have cried out as I cried out that day and the cry would have come from a part of me that is the core of me. The rest of me is merely flesh and blood and bone." [pág. 74]

Entre os finalistas do Booker Prize 2013, O Testamento de Maria (The Testament of Mary, Penguin 2013), do escritor irlandês Colm Tóibín, conta uma história de luto e perda, um tema recorrente na obra de Tóibín. O Testamento de Maria é uma novela melancólica sobre o sofrimento de uma mãe que perdeu um filho. É assim que podemos resumir esse livro e foi assim que tentei ler essa história, fugindo dos enlaces teológicos que certamente devem ter causado alguma polêmica em torno do livro. Mas o que Tóibín tentou fazer, acredito que ele conseguiu: humanizar uma "personagem" que é um mito, torná-la antes de mais nada uma mulher, uma mãe. E são esses sentimentos humanos e maternais que nos aproximam de Maria, uma mulher que perdeu seu filho para o mundo, que não aceita tê-lo perdido, que não acredita no que os outros dizem: que ele é o filho de Deus. Sem entrar em nenhum mérito religioso (lembremos que é ficção), vamos reviver eventos já bastante conhecidos, mas eles não são o foco aqui. A história toda é contada através dos olhos de Maria, do seu luto, seu sofrimento, sua perda. Raiva e um sentimento de culpa por não ter conseguido salvar seu filho se misturam na narrativa de Maria, que é bastante lírica ao relembrar os últimos dias do seu filho antes da crucificação e o que aconteceu depois disso.

Uma perspectiva muito interessante e que me emocionou bastante.

Colm Tóibín. The Testament of Mary. UK: Penguin Books, 2013. 104 págs.

Edição brasileira:
Colm Tóibín. O Testamento de Maria. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. 88 páginas. Tradução: Jorio Dauster. (29 reais)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Carinho.



Com açúcar, com afeto. Foi assim que esse livrinho charmoso chegou até mim ontem, saído de uma livraria bem charmosa de Buenos Aires. Prima querida, amei o presente, a lembrança, o afeto. Love you!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Of mice and men


Sometimes love means letting go
Primeiro livro do Steinbeck que eu leio e estou perdidamente apaixonada. Mas não foi amor à primeira vista. "As vinhas da Ira" está aqui na minha estante há um bom tempo, como um daqueles livros que eu "preciso ler". Mas eis que surge a necessidade de ler o pequeno e grandioso "Of mice and men". Nas primeiras páginas, pensei que a leitura não fosse engatar, mas confiei em alguém que me disse "leia, é maravilhoso!". Segui em frente e me encantei.

A linguagem, bem característica da zona rural e cheia de gírias, causa bastante estranhamento a princípio, mas ela apenas contextualiza a história, não é o essencial. O essencial é uma história de amizade que encanta pela simplicidade e sutileza. É a história de duas vidas (ou de muitas outras por aí) que sofrem todas as dificuldades da vida, da luta pelo sustento e pela sobrevivência. Vidas de muito trabalho, muita solidão, mas que alimentam um sonho, e é esse sonho que os consola e permite seguir vivendo. E o que chama a atenção nos dois personagens centrais, George e Lennie, é uma amizade terna.

George é pequeno e esperto e cuida do gigante Lennie, extremamente forte, mas que tem a mentalidade inocente de uma criança. Sendo muito infantil e não tendo consciência de sua força, Lennie sempre encontra problemas, por mais que George tente orientá-lo. Lennie adora animais, quer acariciá-los, pois gosta de tocar em tudo que é macio e tem uma textura suave, mas, sem saber de sua força, acaba destruindo tudo o que toca. E um desses eventos resulta em uma grande tragédia.

Terminei de ler o livro com lágrimas nos olhos pois, por mais chocante que possa ser o final escolhido por Steinbeck, o que ficou pra mim não foi uma história de traição. Pelo contrário, o que sentimos, por mais estranho que seja, é compreensão. Compartilhamos da dor e do destino desses personagens e da trágica história que se encerra. E o que fica, no fundo, é a certeza (certeza essa que muitas vezes demoramos uma vida inteira para aprender): a de que, às vezes, amar é deixar partir.