segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Maratona Literária


Foram 6 livros, 1430 páginas, 7 dias.

Acabei lendo outros livros que os previamente selecionados, mas isso não importa. Bom, pelo menos não pra mim, que faço questão de exercer meu direito de leitora: eu leio o que eu tenho vontade, a leitura deve ser sempre um prazer, e é sempre uma escolha de um momento. O que vale na maratona é ler bastante e mais do que se lê normalmente, e isso eu consegui. Gostei muito de participar da maratona, e de ver tanta gente envolvida na brincadeira, mostrando que ler é divertido, e que compartilhar leituras é ainda melhor.

Livros lidos:

1. Eleanor & Park - Rainbow Rowel - 336 páginas

2. Why we broke up - Daniel Handler - 368 páginas

3. Doidinho - José Lins do Rego - 254 páginas

4. O oceano no fim do caminho - Neil Gaiman - 208 páginas

5. Sinuca embaixo d'água - Carol Bensimon - 144 páginas

6. Noturno do Chile - Roberto Bolaño - 120 páginas

:O)

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Eleanor & Park



Depois de ouvir tantos comentários em diversos canais estrangeiros sobre livros, fiquei curiosa para ler "Eleanor & Park", da escritora americana Rainbow Rowell. Não consigo me lembrar quando foi a última vez que eu li um livro para jovens adultos (young adult, YA) e de ter gostado tanto. A escrita de Rowell é muito gostosa e muito delicada, intercalando os pensamentos e sentimentos ora de Eleanor, ora de Park, dois adolescentes que estão enfrentando todos os dilemas típicos da adolescência: as dificuldades com os amigos na escola, os problemas familiares, sua autoafirmação e todas as delícias do primeiro amor.

Eleanor é uma ruiva gordinha que acaba de se mudar para a escola e logo no primeiro dia no ônibus começa a sofrer bullying da turma popular da escola. Park também não se dá muito bem com essa turma, mas consegue ficar mais afastado, e diante da cena de Eleanor constrangida em pleno ônibus, ouvindo todo tipo de gozação e sem ter um lugar para sentar, resolve ceder o lugar ao seu lado para ajudá-la, irritado por ela ter chamado a atenção do ônibus inteiro pelo jeito de se vestir. Com o passar dos dias, Park percebe que Eleanor está tentando ler também os quadrinhos que ele lê diariamente no trajeto casa-escola e silenciosamente começa a existir uma cumplicidade entre os dois, nessa leitura silenciosa de HQs. E depois disso passa a ser a música o que eles compartilham nesse trajeto, com Park gravando fitas cassetes (o livro se passa em 1986) para mostrar a Eleanor suas bandas favoritas. Através da leitura, da música e da identificação entre os dois, eles se apaixonam e temos o prazer de acompanhar cada descoberta desse amor tão inocente que ainda acredita que pode vencer o mundo.

Rowell aborda também temas mais sérios como a violência doméstica e o bullying na escola de uma forma sutil, mas que pode fazer os jovens repensarem essas questões com dois exemplos bonitos, que são Eleanor e Park. O livro também mostra a importância da família no crescimento dos jovens, como é o caso da família de Park, que o apóia mesmo nos momentos mais difíceis, através do diálogo, e da família de Eleanor, que tem diversos problemas, mostrando que é possível ser bom mesmo tendo passado por experiências de vida muito ruins. O livro é uma história de amor linda, escrita com muita delicadeza e que tem encantado corações ao redor do mundo. Uma leitura leve e despretensiosa para ler nas férias ou simplesmente quando o coração pedir uma história bonitinha e doce.

Rainbow Rowell. Eleanor & Park. London: Orion Books, 2012. 336 pages.

*Primeiro livro lido para a Maratona Literária 2.0 (13/01/2014)


domingo, 12 de janeiro de 2014

Maratona Literária 2.0


Então que, no último minuto, decido participar da Maratona Literária 2.0, que tem por objetivo incentivar a leitura e que está mobilizando diversos blogs do país inteiro. As regras são simples e cada participante cria a sua meta, que deve ser um pouco mais do que ele/ela lê normalmente. A maratona ocorrerá a partir de amanhã 13/01 até o dia 19/01 e está sendo organizada pelo blog Café com Blá Blá Blá (e outros).

A minha meta é ler:

O ventre da baleia - Javier Cercas (302 páginas)

A Pista de Gelo - Roberto Bolaño (197 páginas)

Doidinho - José Lins do Rego (254 páginas) (faz parte do meu Projeto José Lins)

At Bertram's Hotel - Agatha Christie (320 páginas)

Pretendo terminar também:

Eleanor & Park - Rainbow Rowel (336 páginas) que eu comecei hoje, estou adorando, e ainda tem umas 200 páginas pela frente.

Será que eu consigo?=)

Boa sorte para todos que estão participando e para quem quiser acompanhar as minhas leituras durante a maratona é só acessar o blog, o facebook, ou o Instagram.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A Casa dos Náufragos


"A Casa dos Náufragos", do escritor cubano Guillermo Rosales, é considerado um marco da literatura hispano-americana do século XX, apesar de seu reconhecimento tardio (decorrente da primeira tradução para o Inglês, que só ocorreu no ano 2000), sendo pouco conhecido até por estudiosos da literatura cubana. O livro conta a história do escrtitor William Figueras, um exilado cubano, internado pela família em uma instituição psiquiátrica nos Estados Unidos por sofrer alucinações auditivas episódicas. O asilo para onde foi levado é destinado a inválidos e incapacitados mentais, conhecidos como boarding homes.
E é nessa boarding home que o autor traça o processo de desumanização gradual dos seus personagens, que vão naufragando a cada dia, a cada página da história, na degradante miséria humana. Um lugar decrépito, sujo, violento, impróprio para se viver, que é administrado pelo proprietário, um burguês que rouba todo o dinheiro dos internos sem lhes oferecer o mínimo devido, e um zelador que comete todo o tipo de abusos com pessoas que não tem como se defender, ou que já não acreditam que possam se defender.

O narrador, que aparentemente está em posição privilegiada em relação aos outros detentos por não estar louco, acaba por aumentar seu sofrimento e sua angústia com isso, já que é testemunha do que acontece ao seu redor e tem consciência de sua própria decadência:

"Este é meu fim. Eu, que li Proust completo quando tinha quinze anos, Joyce, Miller, Sartre, Hemingway, Scott Fitzgerald, Albee, Ionesco, Beckett. Que vivi vinte anos dentro de uma revolução sendo carrasco, testemunha, vítima". 

Temos no livro um personagem que se situa no presente como um náufrago, que nem pertence ao território em que habita, nem sente falta do que abandonou: "Não sou um exilado político, sou um exilado total". A narrativa rápida, intensa, porém precisa, faz com que o leitor sinta essa mesma angústia, essa mesma desesperança. No dizer de Ivette Leyva Martínez, autora do posfácio que acompanha o livro: "é uma viagem aos rincões mais sombrios da condição humana, e poucos permanecerão indiferentes a essa visão. Humilhações, sujeira, fedor e abusos físicos constituem o cenário onde o protagonista passa seus dias." (pág. 106). Mais que um livro sobre o exílio, A Casa dos Náufragos é um livro sobre a desumanização de pessoas com problemas mentais, e também sobre a crueldade de quem ainda explora essa situação.

Este é um romance de forte viés autobiográfico pois o escritor Guillermo Rosalles também deixou Havana e mudou-se para Miami em 1979, onde permaneceu até sua morte, em 1993. Participou do círculo de intelectuais cubanos que se transferiu para os Estados Unidos na mesma época, tendo sido premiado com o voto de Octavio Paz em um concurso literário local, uma de suas poucas alegriaa. Destruiu a maior parte de sua obra, e em vida só publicou este único romance, A casa dos náufragos, em 1987.  Esteve internado em diversas instituições psiquiátricas, asilos (as chamadas boarding homes) em Miami, pois sofria de esquizofrenia. Morreu aos 47 anos, pobre, sozinho e esquecido, visitado apenas por poucos amigos, que acompanharam seu processo de destruição até os últimos dias. Um daqueles livros realmente angustiantes.

Guillermo Rosales. A casa dos náufragos. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. 125 páginas. Tradução: Eduardo Brandão.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

poema das árvores e da aprendizagem

poema das árvores e da aprendizagem

tudo o que as árvores fazem é pensar. ficam generosas à espera de chegar a uma conclusão. e se morrem, não é absoluto que tenham tido resposta. deram sombra, pássaro, fruto e vento, mas podem partir quietas, como quem tomba para dentro de si mesmo, com felicidade pelo que já passou e nenhuma mágoa, só a aceitação sábia do tempo

[pág. 155]

Valter Hugo Mãe. Contabilidade - poesia 1996-2010. Lisboa: Editora Objetiva, 2010. 294 páginas.


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Menino de Engenho


Segunda leitura do Projeto José Lins, "Menino de Engenho" é um dos clássicos da literatura brasileira e um dos livros mais importantes da obra de José Lins do Rego. Foi escrito em 1932 e sua primeira edição foi publicada pelo próprio autor, que com ela ganhou o Prêmio Graça Aranha e depois isso não parou mais de ter seus livros publicados.

É importante tomar conhecimento de alguns dados sobre a vida de José Lins para ver com outros olhos os seus livros. José Lins nasceu em 3 de junho de 1901 no engenho Corredor, município do Pilar, no estado da Paraíba. No ano do seu nascimento ficou órfão de mãe e seu pai foi viver em outro engenho. Foi levado então para o engenho do avô, onde cresceu aos cuidados de sua tia Maria. A experiência de ter crescido no engenho, com a figura patriarcal do avô, aos cuidados de sua tia, que ele considerava uma segunda mãe, marcaram para sempre a vida de José Lins, e isso se reflete muito em sua obra.

Em Menino de Engenho temos a história de Carlinhos, que perdeu sua mãe quando era criança em uma briga com o pai, que cometeu um crime passional, cujos motivos não são explicados. O menino Carlinhos é levado então para o engenho do avô, onde cresce junto com os moleques da região, aos cuidados da irmã de sua mãe, sua tia Maria. Carlinhos é tratado com distinção por ser neto do coronel e também por ser órfão. Através de suas lembranças de infância, de uma época em que descobria muito cedo as coisas do mundo, sempre marcado pela melancolia de ter perdido a mãe e de estar sozinho, é que temos um retrato social de uma época ainda marcada pela escravatura, pela dominação dos senhores de engenho.

Carlinhos cresce entre as negras que trabalhavam na senzala, mesmo depois da abolição. Nesse sentido, o livro mostra claramente com os negros continuaram a ser explorados por não terem oportunidade de sair dali. Como podemos ver nesses trechos sobre as negras do engenho, um relato triste sobre a condição da mulher e sobre os abusos que sofriam muitas vezes dos próprios senhores e seus filhos, e dos homens do engenho:

"As suas filhas e netas iam-lhes sucedendo na servidão, com o mesmo amor à casa-grande e a mesma passividade de bons animais domésticos".
"Não conheci marido de nenhuma, e no entanto viviam de barriga enorme, perpetuando a espécie sem previdência e sem medo".

O menino de engenho cresce ouvindo histórias, como as da velha Totônia, uma negra que visitava o engenho e que teve um papel importante em estimular o gosto pelas histórias em Carlinhos:

"As suas histórias para mim valiam tudo"...."Havia sempre rei e rainha, nos seus contos, e forca e adivinhações. E muito da vida, com suas maldades e as suas grandezas, a gente encontrava naqueles heróis e naqueles intrigantes, que eram sempre castigados com mortes horríveis. O que fazia a velha Totônia mais curiosa era a cor local que ela punha nos seus descritivos."

Histórias que marcaram tanto sua vida que precisaram ser recontadas em Histórias da Velha Totônia, livro de 1936. As histórias do avô sobre o engenho também marcaram a infância de Carlinhos e ajudam a construir esse relato da época dos engenhos de açúcar, que no período já começam a dar sinais de decadência. 

"Estas histórias do meu avô me prendiam a atenção de um modo bem diferente daquelas da velha Totonha. Não apelavam para a minha imaginação, para o fantástico. Não tinham a solução milagrosa das outras. Puros fatos diversos, mas que se gravavam na minha memória como incidentes que eu tivesse assistido. Era uma obra de cronista bulindo de realidade."

A escrita de José Lins tem um tom de nostalgia, uma característica também do menino Carlinhos:

"Era um menino triste. Gostava de saltar com os meus primos e fazer tudo o que eles faziam. Metia-me com os moleques por toda parte. Mas, no fundo, era um menino triste. Às vezes dava para pensar comigo mesmo, e solitário andava por debaixo das árvores da horta, ouvindo sozinho a cantoria dos pássaros."

Acompanhamos suas aventuras no dia a dia da produção de açúcar, seu primeiro amor por uma prima que passa o verão no engenho e que parte seu coração quando vai embora, tudo isso contado com a ingenuidade de uma olhar de criança; seu sofrimento é retratado quando a tia Maria se casa e vai embora do engenho, marcando sua vida outra vez com a perda de uma mãe (e pelos artigos que li, a morte da tia de José Lins o deixou muito abalado na vida real). O casamento da tia mostra também como as mulheres não tinham a liberdade de escolha, sendo que seu único destino era o casamento.

Esse livro é uma aula de história do Brasil, mas uma aula muito gostosa de se ler, porque a escrita de José Lins tem esse tom confessional, como se estivéssemos mesmo ouvindo suas memórias de infância. Infância essa que acaba muito cedo, aos doze anos de idade quando o menino Carlinhos vai para o colégio estudar. Menino de Engenho é um livro comovente, que permite uma infinidade de reflexões sobre questões sociais importantes de uma época de nossa história. Relê-lo hoje, quase 18 dezoito anos depois de minha primeira leitura ainda na escola, foi uma redescoberta maravilhosa de um texto bem escrito, repleto de regionalismos e muito rico, que eu espero que ainda seja lido nas escolas. Não deixem de ler Menino de Engenho.

José Lins do Rego. Menino de Engenho. Rio de Janeiro: José Olympio, 2012. 104ª edição. 

domingo, 5 de janeiro de 2014

The Library of Unrequited Love


"Love, for me, is something I find in books. I read a lot, it's comforting. 
You're never alone if you live surrounded by books."

Qualquer livro que fala do amor aos livros atrairá sempre quem gosta de ler. Ainda mais com uma capa bonitinha assim. Com 'The Library of Unrequited Love' (A biblioteca do amor não correspondido, tradução minha) não foi diferente.
A história, na verdade, é um monólogo de uma bibliotecária que chega pela manhã na biblioteca onde trabalha e percebe que um dos leitores ficou trancado na biblioteca durante a noite, sem que fosse visto. Ao encontrá-lo, a bibliotecária discorre sobre seu trabalho, sobre a classificação de Dewey e sobre seu amor platônico por um dos leitores que frequentam a biblioteca, além de falar sobre história, literatura e a vida no dia a dia de uma biblioteca. O livro tem que ser lido de um fôlego só, pois é assim que é escrito. Então imaginem ouvir uma mulher falando sem parar por quase cem páginas. Ainda que alguns comentários sejam engraçados e que encontremos algumas frases lindas sobre os livros e a leitura, sobre a importância dos bibliotecários na formação de leitores, o texto tem um fluxo muito intenso e isso pode tornar o livro um pouco cansativo. Cadê aquela pausa para respirar um pouquinho, tomar um café? Nesse aspecto, foi um pouco decepcionante. Mas, ao que o livro se propõe, ser uma leitura rápida e divertida, acho que ele consegue ser uma opção para dar aquela pausa entre livros, desde que não se tenha uma grande expectativa em relação à história. Afinal, é apenas um monólogo de uma leitora apaixonada sobre a vida silenciosa em uma biblioteca.

"Book and reader, if they meet up at the right moment in a person's life, it can make sparks fly, set you alight, change your life".

Sophie Divry. The Library of Unrequited Love. UK: Maclehose Press, 2013. Ainda sem tradução em português.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Aquela água toda


Pequenos fragmentos de um cotidiano simples, que talvez passassem despercebidos por muitos, são capturados pelo olhar sensível de João Anzanello Carrascoza e ganham uma nova dimensão por sua prosa tão poética e delicada. Os onze contos reunidos em Aquela água toda narram experiências que são um misto de memória afetiva e nostalgia, e falam de um primeiro amor, de uma primeira decepção com um amigo na escola, do reencontro de um menino com o mar e de como ele se encanta por sua imensidão; de situações comuns em família ou apenas através do olhar de uma criança descobrindo o mundo. Um simples acordar em um dia de domingo em família se transforma em poesia e em reflexão.

Apesar de fazer parte do catálogo juvenil da Cosac Naify, acredito que este livro também pode agradar aos adultos, porque é bem gostoso de ler, os textos são curtos mas muito delicados, e relembrar um pouco dessa inocência inicial nunca fez mal a ninguém. Vale a pena mencionar também as ilustrações lindas de Leya Mira Brander, que dão vida à poesia do texto de Carrascoza e que me fizeram desejar a edição impressa do livro. As minhas favoritas são essas aqui:















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João Anzanello Carrascoza. Aquela água toda. São Paulo: Cosac Naify, 2013.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Histórias da Velha Totônia


Para dar início ao Projeto José Lins, decidi começar pela leitura de seu livro infantil "Histórias da Velha Totônia", que foi escrito em 1936 e, por ordem cronológica de publicação, deveria ser o quinto livro a ser lido. No entanto, por ser destinado ao público infantil, optei por começar o projeto com ele e, na sequência, ler os 12 romances escritos por José Lins, que publicou praticamente um livro por ano desde 1932.

José Lins dedicou seu livro infantil para suas filhas, mas também para "os meninos do Brasil" dizendo: "quisera que todos eles me ouvissem com a ansiedade e o prazer com que eu escutava a velha Totônia do meu engenho". Um traço muito característico da escrita de José Lins é a memória. Todas as histórias que ele recriou em seus romances foram fruto de suas memórias de infância no engenho do avô. E é através das histórias desse livro que José Lins tenta compartilhar com as crianças o prazer que sentia sempre que esperava ansiosamente para ouvir a velha Totônia, "que era bem velha e bem magra", e que visitava o engenho e alegrava as crianças com suas histórias. Esse livro não deixa de ser também uma homenagem a todas as contadoras de histórias que alimentaram e alimentam a imaginação de milhares de crianças Brasil afora.

Nas quatro histórias reunidas nesse livro (O macaco mágico, A cobra que era uma princesa, O príncipe pequeno, O sargento verde), está presente a temática tradicional dos contos de fadas, com a luta entre o bem e o mal, sendo que o bem sempre vence. Há também um pouco de magia, com personagens encantadas que vencerão porque são bons. É possível identificar traços de histórias da tradição oral europeia em cada uma das histórias, que aqui tem ambientação brasileira e são contadas numa linguagem coloquial, cheia de regionalismos, característica da escrita de José Lins. A edição conta também com ilustrações de Tomás Santa Rosa, que ilustrou a primeira edição dos seus livros.

Foi gostoso descobrir essas histórias e gostei principalmente porque todas elas tem uma lição que valoriza a bondade, a gratidão, o ajudar o próximo, deixando um bom ensinamento para as crianças. E eu, que adorava os contos de fadas quando era criança, só lamentei não ter lido as histórias da velha Totônia quando era menina.

José Lins do Rego. Histórias da Velha Totônia. Rio de Janeiro: José Olympio, 2010. 32ª edição.


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Desejos de ano novo.



Que seja doce. É o que eu desejo, feito uma prece, no meu coração. Que o ano que chegar saiba compreender nossos sonhos, nossos medos, nossos desejos sinceros de encontrar um caminho melhor para nós mesmos e para os que estão ao nosso redor. Que ele saiba chegar de mansinho, sem muito susto, com novas possibilidades de aprendizado. Porque passar pela vida e nada aprender não é viver. Que ele traga amigos do peito para perto, e que afaste de nós quem não compartilhar de nossa boa energia. Que nos ajude a não perder a fé, quando sua doçura ficar um pouco amarga. Que saibamos vivenciar o amargor de horas incertas para aprender a dar mais valor ainda ao que realmente vale a pena. Lembrem-se: as melhores coisas da vida não são coisas.

Seja doce, 2014. Traga aqueles sorrisos largos, uns abraços apertados e o calor verdadeiro de se estar em família. E que a gente consiga ser pelo menos um pouquinho melhor do que fomos no ano que passou. E que não nos faltem livros bons, para acelerar esse aprendizado e tornar os nossos dias mais cheios de imaginação e fantasia.

Feliz ano novo e obrigada pela companhia em 2013. 

:o)