segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Vermelho Amargo



"Para alimentar a saudade do meu primeiro amor, comia retratos, rezava sem fé, mastigava hóstia, subtraía-me, entregava-me às amoras e seus aromas. Não havia mundo lá fora. Só amor, dentro e fora de mim. Virei dois, como a mulher de duas almas que visitava a minha rua. Faltavam-me rédeas para frear meu amor. Ele me roubava para o fundo do quintal, afogava-me nos rios, transportava-me para os pastos, subia-me nos galhos das árvores, mesmo sem fruto para colher. Eu amava, ou melhor, por inteiro, eu só era amor." [pág.22]


"Sempre suspeitei o nascer como entrar num trem andando. Só que, o mundo, eu não sabia de onde vinha nem para onde ia. E, no meu vagão, não escolhi os companheiros para a viagem. Eram todos estranhos, severos, amargos, impostos. Também entrei sem comprar o bilhete de viagem. Minha bagagem, pequena, cabia debaixo do banco - da segunda classe - sem incomodar. Contrabandeava poucos pertences : uma grande dor que doía o corpo inteiro e a vontade de encontrar um remédio capaz de remediar o incômodo. Até hoje o mundo ainda não atracou. Vou sem escolher o destino. O trem estancava na minha cidade, trocava de carga e reabastecia-se. O mundo só nos permite uma baldeação definitiva."
[pág. 38]

Bartolomeu Campos de Queirós. Vermelho Amargo. São Paulo: Cosac Naify, 2013.

sábado, 16 de novembro de 2013

Fliporto


Desde que cheguei aqui que fico pensando no que vou escrever para contar para vocês como está sendo minha primeira vez em uma feira literária. Mas tem sido uma mistura de encantamento e emoção que as palavras faltam. E quem está acompanhando as fotos no meu Instagram pessoal vai entender que uma imagem às vezes fala bem mais que mil palavras. E que olhos brilhando dizem mais ainda. 

Descobri que não é tão ruim quanto se pensa viajar só. Porque quando estamos sozinhos ficamos de coração mais aberto para conversar com quem encontramos, para fazer novos amigos, para querer fazer coisas novas que talvez, se estivéssemos acompanhados não faríamos. Tem sido divertido. E quando me perguntam se eu estou só a primeira coisa que escuto é: como você é corajosa! E inevitavelmente lembro da epígrafe do novo livro de Valter Hugo Mãe: "um homem não é independente a menos que tenha a coragem de estar sozinho". Talvez isso seja um começo pra mim.

O primeiro dia na Fliporto foi emocionante. Valter Hugo Mãe e Andrea del Fuego leram juntos a autobiografia de José Saramago. Os dois vencedores do Prêmio José Saramago, que ajuda a reconhecer os novos talentos da literatura em língua portuguesa. Depois, ouvir a Pilar Del Rio. E se emocionar, porque quando ela terminou de falar eu estava mesmo com os olhos marejados. Arrepiada. Porque ela disse tudo desse amor que sentimos pelos escritores e que quem não ama literatura nunca vai compreender. Emocionante lembrar de Saramago, na véspera do seu aniversário. Saber do dia do desassossego.

Estar cercada de literatura. De gente que gosta de ler, dos escritores e tradutores que você já leu e gosta, ter a chance de dar um abraço no seu escritor preferido, tem sido uma grande emoção. Hoje e amanhã teremos ainda muita coisa boa no congresso literário. Hoje verei o escritor Francisco Azevedo, autor de O Arroz de Palma. Amanhã tem Andrea del Fuego e Valter Hugo Mãe, o mais esperado. O final de semana vai ser lindo. Como o dia lindo de sol que está fazendo aqui em Olinda. Só não está perfeito porque eu ainda não consegui comer o bolo de rolo pernambucano que eu adoro. Mas até terça isso precisa mudar. :)

Viva Saramago!

"Vivo desassossegado, escrevo para desassossegar"
José Saramago

Dia do Desassossego


Hoje José Saramago faria 91 anos. Ele, que escrevia para desassossegar. Segundo a Pilar del Río, seu sonho era poder conversar com todos os leitores do mundo, era algo que sempre o alegrava. Na abertura da Fiporto, Pilar, a namorada de Saramago, como ela diz preferir ser chamada, disse que quando acarinhamos um livro, também acarinhamos o escritor que nele habita. E pediu que hoje todos nós fizéssemos um carinho em Saramago, apenas para lembrá-lo que ele é eterno. No mundo inteiro, os leitores hoje sairão nas ruas com um livro de Saramago. Alguns farão leituras em voz alta em algum lugar que julgarem adequado para essa homenagem. Outros podem preferir ler em silêncio. Não importa. O importante é participar desse carinho. Seja com uma foto de um livro de Saramago no Instagram, um vídeo ou post no blog, vale tudo. Vale até mesmo aquele carinho na capa de um livro dele.
O que vale é fazer voar as palavras de Saramago, hoje e sempre.
Participem.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Contagem regressiva - Fliporto 2013




Já começou a contagem regressiva para a IX Festa Literária Internacional de Pernambuco, que acontecerá de 14 a 17 de novembro de 2013 em Olinda. O homenageado desse ano é o escritor José Lins do Rego.
Pilar Del Río, Valter Hugo Mãe, Andrea Del Fuego, Luiz Ruffato são alguns dos escritores que participarão do evento, que promete ótimos diálogos sobre arte e literatura.

Eu já estou arrumando as malas e farei o possível para contar para vocês as notícias e impressões do evento.

Clique aqui para ver a Programação da Fliporto 2013.



segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A Solidão dos Números Primos

Com um dos títulos mais bonitos já vistos, A Solidão dos Números Primos, do escritor italiano Paolo Giordano, foi uma grande descoberta. Intenso, verdadeiro e, em muitos momentos, extremamente doloroso de ler, tal sua veracidade, o livro faz uma reflexão sobre as diferenças, sobre a solidão, sobre as relações familiares (e os problemas que encontramos nelas) e sobre muitos conflitos da nossa juventude.

Contando a história de Mattia e Alice, duas crianças desde a infância marcadas por suas diferenças, acompanhamos a passagem dos dois pela adolescência, com todas as dificuldades, encontros e desencontros, até sua vida adulta. Nesse percurso o que chama a atenção são as relações familiares, os problemas de comunicação entre as pessoas de uma mesma família e o quanto isso será determinante para a formação de cada indivíduo. O autor nos mostra como nossos erros e nossas escolhas deixam marcas em nós por toda a vida.

Alice é uma menina oprimida que tem distúrbios alimentares e frequenta aulas de esqui. O detalhe mais importante é que Alice não quer aprender a esquiar, ela só frequenta as aulas porque é obrigada pelo pai. Durante um dos treinos, Alice sofre um acidente que a deixa com uma deficiência permanente na perna.

Mattia tem uma inteligência rara, enquanto sua irmã gêmea tem uma doença mental, da qual ele se envergonha. Um dia, indo para o aniversário de um amigo da escola, levando a irmã junto com ele apenas porque sua mãe o obrigava, Mattia deixa a irmã em uma praça e segue para o aniversário, porque queria ser aceito pelo grupo de colegas pelo menos uma vez, mas sua irmã desaparece, e esse fato marcará sua vida para sempre.

Em suas diferenças, Mattia e Alice se reconhecerão em sua solidão, e são muitos os encontros e desencontros que permearão a história dos dois durante todo o livro, numa avalanche de aspectos psicológicos muito bem explorados pelo autor, mas que deixam o leitor quase sempre com o coração apertado, sofrendo pelos personagens. 

Mattia tinha estudado que entre os números primos existem alguns ainda mais especiais. Os matemáticos os chamam de primos gêmeos: são casais de números primos que estão lado a lado, ou melhor, quase vizinhos, porque entre eles sempre há um número par, que os impede de tocar-se verdadeiramente. Mattia achava que ele e Alice eram assim, dois primos gêmeos sós e perdidos, próximos, mas não o bastante para se tocar de verdade”.

Este é sem dúvida um livro com personagens extremamente complexos que nos levam a refletir sobre várias questões, não só sobre as relações familiares, mas sobre a juventude nos dias de hoje e todas as dificuldades que ela enfrenta. E o livro nos mostra o quanto o ser humano pode ser cruel com o simples fato de ficar em silêncio. É um livro que recomendo não apenas para os jovens, mas para os pais de todas as idades, porque às vezes ver no outro o nosso erro é uma forma de reconhecê-lo, e acompanhar o doloroso desenvolvimento desses personagens acaba por ser uma grande lição de como relacionar-se com o outro, de como ser mais humano diante de nossas imperfeições e diferenças.

Eu ainda estou torcendo por Mattia e Alice. E tenho certeza de que você terminará de ler este livro torcendo por eles também.

Paolo Giordano. A solidão dos números primos. Rio de Janeiro: Rocco, 2009.
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Paolo Giordano nasceu eu Turim em 1982. Formou-se em Física e ganhou o Prêmio Strega 2009 por este romance de estreia.

domingo, 3 de novembro de 2013

Carta a D., história de um amor

Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher”.

Assim começa essa história de amor, quase um Romeu e Julieta, com a diferença de que aqui o tempo e a saúde foram os vilões. Relendo esse livro me dei conta de duas coisas: que há mesmo um tempo certo para cada livro, porque não tinha gostado tanto dele quanto gostei agora; e que ainda há amores que duram para sempre, mesmo nos tempos de hoje.

André Gorz é um dos mais importantes intelectuais da atualidade, foi filósofo e jornalista, publicou dezenas de livros, centenas de artigos e ensaios. Nasceu em Viena, na Áustria, em 1923. Foi levado para a Suíça pela mãe em 1938, que temia o exército nazista. O pai havia sido preso pelas tropas nazistas e ela não queria que o mesmo ocorresse com o filho por conta de sua ascendência judaica. André Gorz, que na verdade é um pseudônimo, com o qual ficou mundialmente famoso (seu nome verdadeiro é Gerhard Horst), permaneceu na Suíça até o final da guerra, estudou engenharia química, e se tornou um dos principais conhecedores da obra de Jean-Paul Sartre. Paralelamente à atividade de jornalista, desenvolveu uma intensa atividade teórica e política.

Carta a D. foi seu último livro, escrito em homenagem a sua esposa Dorine, com quem viveu por quase sessenta anos. Acho que podemos considerá-lo uma carta de amor e também uma carta de despedida. Nele, André Gorz faz uma análise de toda sua vida, relembrando os momentos mais difíceis e importantes de sua carreira apenas para constatar que nada do que fez ou produziu teria sido possível sem sua esposa, e que talvez ele não tenha dito isso com todas as letras em seus trabalhos. Ficamos sabendo como os dois se conheceram, de como ele se sentia em relação ao mundo e à sua família (“Minha família se tornara tão estrangeira para mim quanto meu próprio país” pág. 13) ressaltando essa relação de amor e de companheirismo que se estabeleceu entre os dois no decorrer de suas vidas. E ficamos sabendo também que Dorine teve um papel fundamental em toda a produção teórica/filosófica/política desse autor, tendo o encorajado durante toda sua vida:

Você dizia que tinha se unido a alguém que não podia viver sem escrever, e sabia que quem quer ser escritor precisa se isolar, tomar notas a qualquer hora do dia ou da noite; que seu trabalho com a linguagem continua mesmo depois de largar o lápis, e pode inesperadamente se apossar dele por completo, bem no meio de uma refeição ou uma conversa. “Se eu pelo menos soubesse o que se passa na sua cabeça”, você dizia ás vezes, diante de meus longos devaneios em silêncio. Mas você também sabia disso porque você mesma já tinha passado por isso: um fluxo de palavras procurando o arranjo mais cristalino; fiapos de frases continuamente remanejados; começos de ideias que ameaçavam desvanecer se uma senha ou símbolo não conseguisse fixá-las na memória. Amar um escritor é amar que ele escreva, dizia você. “Então escreva!”. (página 21)

Chamou minha atenção que Dorine quis aprender alemão e Gorz lhe disse “Não quero que você aprenda nenhuma palavra dessa língua, nunca mais vou falar alemão”, demonstrando o peso de um passado que transformou o alemão numa língua relacionada à morte, ao ódio, à tristeza, ao que não se quer lembrar. No entanto, as últimas palavras da carta são em alemão, como se diante da ideia da morte de sua amada, uma dor tão grande de suportar, só mesmo a  língua materna (ou a tristeza a ela relacionada) pudesse descrever: Die Welt is leer, Ich will nicht leben mehr (O mundo está vazio, não quero mais viver).

Eu não posso me imaginar escrevendo se você não mais existir. Você é o essencial sem o qual todo o resto, importante apenas porque você existe, perderá o sentido e a importância. Disse-lhe isso na dedicatória do meu último escrito.” (Pág. 51)


Terminei de ler o livro chorando, porque não há dor maior do que perder quem se ama e o relato foi realmente emocionante. E fiquei pensando se Dorine chegou a ler essa carta que ele escreveu. Espero que ela tenha lido. O posfácio informa que Gorz e Dorine se suicidaram juntos em setembro de 2007, mas o último parágrafo me fez pensar que é possível outra interpretação, pois não temos um depoimento de Dorine: talvez ela tenha falecido, pois estava muito doente, e, diante da visão de perdê-la, ele tenha se suicidado para que os dois pudessem seguir juntos, porque ele não saberia mais viver no mundo sem ela. Feito Romeu e Julieta. Se eles decidiram juntos em vida ou se ele decidiu isso depois de sua morte, pouco importa. O que fica claro nesse livro, nessa carta, é a história de um amor que existiu durante toda uma vida.


André Gorz. Carta a D. : história de um amor. Cosac Naify Portátil: São Paulo, 2012.

sábado, 2 de novembro de 2013

Beatriz

Acho que fiz as pazes com o Cristovão Tezza nesse livro. Explico: quando li o tão aclamado O Filho Eterno, eu não consegui me encantar pelo autor. Não sei se foi o momento certo para ler o livro, mas não gostei. Quando encontrei Beatriz em uma promoção da fnac, decidi dar mais uma chance ao escritor depois de ler o prólogo do livro ainda na livraria. 

Beatriz é um livro composto de setes contos e um prólogo, e nesse prólogo, que o próprio autor diz ser coisa ultrapassada, mas que eu achei excelente, ele explica um pouco o livro e se aproxima do leitor, pois é quase uma conversa. Tezza diz que não é muito bom em contos, explica um pouco as diferenças entre o conto, o romance e a novela; reconhece que o público leitor é formado em sua maioria por mulheres (sim, estatisticamente comprovado que as mulheres leem muito mais) e diz que o livro surgiu de várias tentativas de compor uma personagem, a Beatriz, que inicialmente foi pensada como Alice. Achei interessante ver esse processo de criação no decorrer do livro e a personagem cresceu tanto que acabou virando personagem de um outro romance do autor, se não me engano, Um Erro Emocional. Não sei qual dos dois livros foi publicado primeiro, mas nesses contos vemos uma personagem que precisou ter mais vozes, vivenciar mais histórias.

Os três primeiros contos não me cativaram, confesso, e já estava pensando que tinha sido uma bobagem comprar o livro quando os contos começaram a melhorar, e foram crescendo até chegar ao último conto, O Homem Tatuado, que foi o que mais gostei. Parando para analisar o prólogo e esse crescente que foi o livro, terminei com uma boa impressão de Beatriz. Não é um livro perfeito, porque metade foi interessante, metade não, mas para quem se interessa por esse processo criativo dos escritores, acho que pode ser uma boa leitura. É, talvez eu tenha feito as pazes com o Tezza. Veremos.

Cristovão Tezza. Beatriz. Rio de Janeiro: Record, 2011.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Dedicatórias e outras histórias

Quando encontro um livro, sempre gosto de abri-lo para olhar a dedicatória. Acho que isso diz muito sobre o autor e às vezes revela algo bem mais pessoal que o próprio texto. As epígrafes são interessantes, tenho mania de anotar aquelas que chamam minha atenção, mas é a dedicatória que me leva um pouco mais para perto do autor. Dedicar a alguém um trabalho que nos tomou tanto tempo, que contém tanto de nós e do nosso esforço é sem dúvida uma prova de amor. Uma homenagem a que nos é importante. Seja em um trabalho acadêmico, seja nos romances da literatura universal, as dedicatórias contam histórias e eu sempre lamento quando abro um livro de um escritor de quem gosto e não há dedicatória para ninguém.
Algumas dedicatórias surpreendem, e as mais bonitas foram feitas por grandes teóricos, nem sempre por grandes romancistas e poetas.

Uma das minhas favoritas foi escrita por Lawrence Venuti, um dos principais teóricos da tradução, no livro Escândalos da Tradução (The Scandals of Translation - towards an ethics of difference). Venuti dedicou o livro, um dos mais importantes na teoria da tradução, à Gemma Leigh Venuti, sua esposa, em italiano e em Japonês:

André Gorz, jornalista austríaco radicado na França, reconhecido mundialmente por seus trabalhos nas áreas da filosofia e sociologia, dedicou seu livro "Metamorfoses do Trabalho", assim como todos os outros que escreveu durante sua carreira, à sua esposa Dorine, sua companheira por quase 60 anos:


Gorz surpreendeu o mundo quando escreveu o livro "Carta a D., história de um amor", publicado no Brasil pela Cosac Naify, uma pungente declaração de amor a Dorine. Dirigindo-se à mulher doente, Gorz relata a história da paixão, cumplicidade e militância (com propostas inovadoras no setor trabalhista e uma atuação pioneira em ecologia política) que os uniu para sempre desde que se conheceram em Lausanne, na Suíça, em outubro de 1947. Com o agravamento irremediável da doença de Dorine, os dois se suicidaram e seus corpos foram encontrados lado a lado em 24 de setembro de 2007.

Um dos meus livros favoritos, Extremamente Alto e Incrivelmente Perto, do escritor Jonathan Safran Foer, tem uma das dedicatórias mais lindas, que encanta pela simplicidade e que faz todo o sentido para quem leu o livro. Ele foi dedicado à Nicole Krauss, também escritora e esposa de Foer:

Impossível falar de dedicatórias sem mencionar o escritor José Saramago, que com poesia e simplicidade fez as dedicatórias mais bonitas em vários dos seus livros para Pilar Del Rio: "A Pilar, como quem diz água"; "Para Pilar, minha casa"; "A Pilar, que não deixou que eu morresse":


No livro Morder-te o coração, a escritora portuguesa Patrícia Reis resume tudo em uma frase simples e apaixonada como esse livro, que eu muito recomendo.


Há ainda os que chamam a atenção por lembrar daqueles que quase sempre são esquecidos, apesar de possibilitar o nosso acesso a tantas obras de diversos países cujo idioma não dominamos. É o caso do escritor uruguaio Mario Benedetti, que dedicou seu livro A Borra do Café aos seus tradutores:


A escritora brasileira Andrea Del Fuego dedicou seu livro Os Malaquias, vencedor do Prêmio José Saramago em 2011, aos personagens da história. Segundo a autora, o livro foi inspirado em uma história de família, talvez por isso a homenagem:

E há livros que são inteiramente uma homenagem. Em Morreste-me, José Luís Peixoto dedica o livro inteiro ao seu pai, em uma declaração de amor e de saudade que emociona até os corações menos sensíveis. É o único livro do José Luís que tem dedicatória, o que só demonstra a importância desse gesto.

E vocês, tem alguma dedicatória bonita para compartilhar comigo? :)

Neil Gaiman e o poder da leitura

Vídeo apaixonante, merece ser visto!



fonte: o esquema