Deveria haver estrelas para grandes guerras como a nossa.
(Sandra Cisneros)
"Procurava lembrar para onde estava indo quando topara com ele. Era algo turvo. E, no entanto, ela não era do tipo que anda por aí sem ter um ponto definido para chegar. Não tinha planejado perfazer o percurso daquele romance de Cortázar que tinha acabado de ler? A literatura estava ali, agora, entre os dois. Sim, era isso mesmo, ao ler O jogo da amarelinha gostara especialmente daquelas cenas em que os heróis tentam se cruzar na rua seguindo itinerários saídos da frase de um clochard. À noite, reconstruíam os percursos em um mapa, para ver em que momento poderiam ter se encontrado, em que momentos certamente teriam roçado um no outro. Era por ali que ela estava andando: dentro de um romance". (pág. 12)
Depois de ver o vídeo tão bonito feito pela Juliana Brina (para ver o vídeo, clique aqui) e uma resenha ainda melhor sobre a escritora canadense Alice Munro, comecei a ler o livro Away from her (Longe dela), que na verdade é o título do filme dirigido pela Sarah Polley e que é baseado em um conto da Alice Munro chamado "The Bear Came Over The Mountain". Li e reli esse conto, e olha que não sou grande fã de contos, prefiro romances, mas a escrita da Alice Munro é realmente como a Juliana tão bem descreveu. O conto é lindo e quero muito ver o filme da Sarah Polley que, pela introdução tão apaixonada do conto nesse livro também foi mordida pela delicadeza e sutileza da escrita da Alice Munro. Selecionei esse trecho da introdução feita pela Sarah Polley que para mim resumiu muito bem essa história:"the things you remember, not in words but in the very molecules that make up your being, can be more painful than the things that are forgotten"
"Nessa noite, eu e Ana Iris vamos ver um filme. Não entendemos inglês, mas gostamos dos tapetes limpos do novo cinema". (pág. 81)
"Ela balança a cabeça, o rostinho de criança inexpressivo. Na certa está com saudades do filho ou do pai do filho. Ou do nosso país inteiro, no qual você nunca pensa até se mandar e que você nunca ama até não estar mais lá." (pág. 72)