quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Never let me go

Never let me go. Não me abandone jamais.

Já tinha me apaixonado pelo escritor Kazuo Ishiguro quando li The remains of the day e ontem quando finalmente vi Never let me go esse amor só se confirmou.
É um filme que faz pensar, definitivamente. Acho que o choque que é imaginar o futuro desse jeito, com clones criados exclusivamente para doar seus órgãos, é quase como um soco no estômago. Acredito que Ishiguro conseguiu de fato mostrar e nos convencer de que não podemos brincar de Deus, não sabemos as consequências.
É impossível não se encantar pelos personagens e sentir pena do destino que não escolheram. E até o último minuto fiquei esperando que eles fossem conseguir a chance de viver. Infelizmente, nesse futuro guiado por seres humanos egoístas, não há lugar para viver um amor. Não há lugar para viver.
Chorei tanto no final e depois achei melhor que não fosse o final feliz que eu estava esperando. Porque no fundo a gente sempre espera que um final perfeito vá resolver tudo, quando na verdade não vai. E a realidade mais pura e simples foi retratada por Ishiguro de forma a ser, sim, um soco no estômago, como se nos perguntasse: quem vocês pensam que são?
Acho que vale muito a pena ver esse filme para refletir.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Românticos anônimos


Acho que ando numa fase de filmes franceses. Principalmente se for docinho assim como esse. Com gosto de chocolate. Uma história de amor meio desajeitada como os personagens, tímidos e com medo de tudo. Mas com um pouquinho de coragem e paciência, acho que acima de tudo, aceitação com o que são de verdade, sem querer ser outra pessoa, eles acabam se entendendo. Do jeito desastrado que são.
Filme bom para aqueles dias em que carecemos de uma pitadinha de esperança. Ah, e não se esqueça de levar um chocolate com você, você vai precisar.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

The fantastic flying books of Mr. Morris

Fiquei tão apaixonada por esse vídeo, que compartilhá-lo é o mínimo que eu posso fazer. Lindo, de fazer brotar lágrimas nos olhos.


The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore from Moonbot Studios on Vimeo.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Minhas tardes com Margueritte


Meu coração sempre se enche de alegria quando alguém me diz: "pipa, isso me fez lembrar você", principalmente quando "isso" é algo doce e delicado e cheio de ternura.
Dessa vez foi a Lia que disse "é lindo e você vai se apaixonar, ele fala daquele livro que você comentou, do velho que lia romances de amor". Essa semana então, finalmente, assisti ao encantador "Minhas tardes com Margueritte", que me fez chorar sozinha no cinema, e ainda um pouco depois de sair de lá. Há tempos não via algo tão lindo assim. E a história tem todos os elementos que contribuem para nos conquistar. Tem um homem grande e desajeitado, que cresceu sendo chamado de burro e menosprezado pelos amigos, professores e por sua própria mãe, mas que possui um coração sensível e nobre que enternece nossos próprios corações. Tem uma jovem bonita que se apaixona por esse grandão desajeitado e que nos dá uma lição sobre verdadeiro amor.



Tem uma velhinha que amava os livros, seus companheiros de uma vida inteira, "que lê como respira" e que com esse amor consegue ensinar a uma homem, que durante toda uma vida se julgou incapaz, que a leitura é um ato de compartilhamento, que ela transforma a vida das pessoas de uma maneira mágica e que todos somos leitores aptos a desvendar os caminhos de qualquer história, desde que tenhamos o coração aberto e sejamos inspirados por alguém generoso o bastante para saber compartilhar e passar adiante essas coisinhas fantásticas a que chamamos livros.


Fui ao cinema hoje outra vez para ver "Minhas tardes com Margueritte" e a emoção foi a mesma, e acredito que sempre será. Impossível não me identificar com essa história. Para mim é uma história de amor. E acho que eu me vejo daqui a uns anos, sentadinha em um banco de praça, lendo como a Margueritte, até acabar a luz. E confesso que desejo que essa luz me acompanhe até o final, mas, se não for possível, que olhos generosos me acompanhem em mais algumas histórias. Porque sem essas histórias fica mesmo difícil respirar.

*P.S: E se alguém quiser me fazer feliz, me dá esse filme de presente em DVD. Dei o meu de presente e agora não acho outro para comprar :(

Organizing the bookcase

O Arroz de Palma



Fiquei feliz por ter achado esse livro, uma belíssima estréia de Francisco Azevedo. A delicadeza da capa também está presente no texto, que nos conquista pela simplicidade e doçura com que essa história de família é contada. Dá pra sentir o cheiro do café fresquinho e do bolo saindo do forno, dá pra lembrar de nossas próprias histórias de família, dos avós, das travessuras de infância, do primeiro amor. Desafio qualquer um a ler "O arroz de Palma" e não se identificar com o que o autor conosco compartilha. Porque família somos todos e todos teremos, no mínimo, alguma lembrança querida, alguma história engraçada, pra contar. Ler esse livro foi um mergulho em lembranças que a correria do dia a dia às vezes nos faz esquecer, mas que merecem ser recontadas. Um livro com gosto de saudade, de nostalgia, e que se parece mesmo com um almoço de domingo em família. Recomendo.

Francisco Azevedo. O arroz de Palma. Rio de Janeiro: Record, 2008.

The Joy of Books

Dois Rios



Dois caminhos, dois irmãos...
Fiquei impressionada com a força narrativa deste livro, meu primeiro da Tatiana Salem Levy. Como a correnteza de um rio, as emoções dos dois personagens centrais dessa história, dois irmãos, são apresentadas ao leitor com a intensidade das paixões, mas com a delicadeza daqueles que tiveram a sorte de encontrar um amor.
Achei linda a metáfora do amor como um divisor de águas, do mar como possibilidade de partir ou de permanecer, trazendo o que há de bom, mas também levando o que mais se ama.
Acho que a Tatiana Levy merece todos os elogios que estão sendo feitos aos seus livros, porque é dessas escritoras que escrevem mesmo com paixão e com uma segurança que impressiona. Dois rios é um livro para se ler de uma vez só, seguindo o fluxo do texto, e se emocionando durante todo o tempo. Recomendo.

Tatiana Salem Levy. Dois Rios. São Paulo: Record, 2011.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Carinho.



Com açúcar, com afeto. Foi assim que esse livrinho charmoso chegou até mim ontem, saído de uma livraria bem charmosa de Buenos Aires. Prima querida, amei o presente, a lembrança, o afeto. Love you!

The road home

Uma bela definição de saudade, acho que é o que mais explica esse livro. Saudade de nossa casa, quando no exílio, de nossa cultura, de ouvir nossa própria língua, ou saudade do que a gente era em uma época mais feliz. Saudade também de alguém que a gente amou e que já se foi. Recomeços. E todos os tropeços ao recomeçar e tentar se (re)encontrar. O livro é uma viagem pela alma humana, erros e acertos, dores e alegrias.
E eu viajei com Lev pelos ruas de Londres, imaginando os cheiros, os sons, o vento frio, e me encantei pelos amigos que ele encontrou pelo caminho, apesar de todas as circunstâncias difíceis pelas quais ele passa no decorrer de sua estadia na Inglaterra. Torci por Lydia e me reconheci em suas "segundas chances". Até o final ainda esperei que ela voltasse, mas aceitei o destino justo que a autora reservou para ela.

Fiquei surpresa e contente quando Lev descobre seu amor pela culinária como que por acaso, e compreende o poder mágico que é cozinhar para fazer outras pessoas felizes. E apesar de muitas vezes ter vontade de bater em Lev, dadas as besteiras que ele faz, sempre dei uma segunda chance a esse personagem que se mostrou imensamente humano. Feito Lydia, por ver ali um bom coração errando meramente por estar sofrendo, voltava a torcer por Lev. E sofri junto, ansiosa e desejando que alguma coisa boa por fim acontecesse. Porque, assim como eu, Lev acreditava em seus sonhos e neles encontrava forças para seguir vivendo. E acho que todo mundo que ainda acredita em sonhos merece sim uma chance, ou quem sabe muitas, de encontrar a felicidade.
A princípio pensei ter amado o livro e me decepcionado um pouco com o final (essa mania terrível de desejar finais felizes...), mas depois de alguns dias ainda pensando na história cheguei à conclusão de que a autora foi muito coerente. O livro é humano demais para ter um final de conto de fadas. Além disso, a autora reservou para Lev um destino tão digno quanto o que reservou para Lydia, cada um à sua maneira. Para Lev ficou, enfim, a chance verdadeira de recomeçar após ter descoberto o caminho.

Rose Tremain. The Road Home. UK: Vintage, 2011.