domingo, 16 de outubro de 2011

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Ready to go.

A mala está pronta. O coração está ansioso. O corpo está exausto dessa semana punk. A sexta feira foi como entrar em uma batalha sem saber que era batalha, sem nenhuma arma na mão. Isso cansa qualquer coração.
Mas amanhã é dia esperado, desejado, contado nos dedinhos da mão. Que seja doce.

"Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante.
Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se não fosse nada."

Caio Fernando Abreu. (Os dragões não conhecem o paraíso)

E hoje vi essa frase em um dos novos blogs que apareceram por aqui, e achei perfeita pra hoje, aliás, para sempre:

...que mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista, nem de sonho, a idéia da alegria. Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz. (Caio F. Abreu)

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Chico.


Dia 22/07/11, para a alegria geral.




quinta-feira, 9 de junho de 2011

Poesias de Clarice

A mágoa,
Os telhados sujos a sobrevoar
Arrastas no vôo a asa partida
Acima da igreja as ondas do sino
Te rejeitam ofegante na areia
O abraço não podes mais suportar
Amor estreita asa doente
Sais gritando pelos ares em horror
Sangue escoa pelos chaminés.
Foge foge para o espanto da solidão
Pousa na rocha
Estende o ser ferido que em teu corpo se aninhou,
Tua asa mais inocente foi atingida
Mas a Cidade te fascina.
Insiste lúgubre em brancura
Carregando o que se tornou mais precioso.
Voas sobre os tetos em ronda de urubu
Asa pesa pálida na noite descida
Em pálido pavor
Sobrevoas persistente a Cidade Fortificada escurecida
Capela ponte cemitério loja fechada
Parque morto floresta adormecida,
Folha de jornal voa em rua esquecida.
Que silêncio na torre quadrada.
Espreitas a fortaleza inalcançada.
Não desças
Não finjas que não doi mais
Inútil negar asa partida.
Arcanjo abatido, não tens onde pousar.
Foge, assombro, inda é tempo,
Desdobra em esforço a sua medida
Mergulha tua asa no ar.
Clarice Lispector
Publicado no Diário de São Paulo em 5/1/1947.
Foi mantida a grafia original.
Para ler a matéria inteira sobre a (verdadeira) poesia de Clarice, vejam o site da Cosac Naify: http://editora.cosacnaify.com.br/blog/?p=8284

sábado, 28 de maio de 2011

84 Charing Cross Road



Desde o ano passado que este livro está na minha estante, aguardando a hora de ser lido. Não vou dizer que me arrependo de não ter lido antes; acho que o momento agora foi um dos mais perfeitos. No fundo, acredito até que ele estava esperando esse momento chegar, para chamar minha atenção para essas páginas amareladas na minha estante.

Depois de ter lido e amado "a sociedade literária", esse foi o livro que mais se aproximou do encantamento que eu senti pelos moradores da ilha de Guernsey. Mas, diferente de "A sociedade literária e a torta de casca de batata", *84 Charing Cross Road* (ou "Nunca te vi, sempre te amei" em português) é uma história real. E o que mais posso dizer? Que me senti em casa em meio a essas cartas que recontam uma grande amizade entre pessoas que nunca se viram, mas que se compreendem imensamente, porque o que as une é um grande amor pelos livros.

Chorei com a mesma tristeza que Helene deve ter chorado quando recebeu a última carta, e imagino que sentirei a mesma alegria e emoção que ela sentiu quando, depois de tantos anos, finalmente pisou em Londres pela primeira vez. No livro alguém diz que as pessoas encontram em Londres exatamente o que estavam procurando. Helene disse que queria encontrar a Inglaterra da Literatura Inglesa, mas acho que ela acabou encontrando muito mais que isso. Estou sonhando com a minha chance de caminhar pela Charing Cross Road e encontrar a Londres com que eu sempre sonhei.



Gostei tanto desse livro que ontem saí em busca do filme, com o mesmo título e um grande elenco (Anthony Hopkins, Jude Dench e Ann Bancroft). Recomendo tanto o livro quanto o filme, para todos aqueles que compartilham comigo esse amor pelos livros, pelas cartas e por essas amizades que surgem apesar das distâncias e que, de tão especiais, merecem ser recontadas.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Of mice and men


Sometimes love means letting go
Primeiro livro do Steinbeck que eu leio e estou perdidamente apaixonada. Mas não foi amor à primeira vista. "As vinhas da Ira" está aqui na minha estante há um bom tempo, como um daqueles livros que eu "preciso ler". Mas eis que surge a necessidade de ler o pequeno e grandioso "Of mice and men". Nas primeiras páginas, pensei que a leitura não fosse engatar, mas confiei em alguém que me disse "leia, é maravilhoso!". Segui em frente e me encantei.

A linguagem, bem característica da zona rural e cheia de gírias, causa bastante estranhamento a princípio, mas ela apenas contextualiza a história, não é o essencial. O essencial é uma história de amizade que encanta pela simplicidade e sutileza. É a história de duas vidas (ou de muitas outras por aí) que sofrem todas as dificuldades da vida, da luta pelo sustento e pela sobrevivência. Vidas de muito trabalho, muita solidão, mas que alimentam um sonho, e é esse sonho que os consola e permite seguir vivendo. E o que chama a atenção nos dois personagens centrais, George e Lennie, é uma amizade terna.

George é pequeno e esperto e cuida do gigante Lennie, extremamente forte, mas que tem a mentalidade inocente de uma criança. Sendo muito infantil e não tendo consciência de sua força, Lennie sempre encontra problemas, por mais que George tente orientá-lo. Lennie adora animais, quer acariciá-los, pois gosta de tocar em tudo que é macio e tem uma textura suave, mas, sem saber de sua força, acaba destruindo tudo o que toca. E um desses eventos resulta em uma grande tragédia.

Terminei de ler o livro com lágrimas nos olhos pois, por mais chocante que possa ser o final escolhido por Steinbeck, o que ficou pra mim não foi uma história de traição. Pelo contrário, o que sentimos, por mais estranho que seja, é compreensão. Compartilhamos da dor e do destino desses personagens e da trágica história que se encerra. E o que fica, no fundo, é a certeza (certeza essa que muitas vezes demoramos uma vida inteira para aprender): a de que, às vezes, amar é deixar partir.

Yeats.

Até hoje não consigo explicar muito bem esses dias em que a gente acorda meio "blue", sem nenhum motivo concreto. Aqueles dias em que nem um chocolate resolve. E de um livro para um filme, de uma cena para um poema, eis que eu encontro conforto. Acho um mistério isso que a poesia tem de dizer tudo aquilo que a gente queria dizer, nem sempre para outra pessoa, às vezes para nós mesmos, de uma forma simples e tão bonita.
O poema que me salvou ontem é de William Butler Yeats, poeta e dramaturgo irlandês. E no filme ele é declamado por Anthony Hopkins. Quem sabe ele não possa salvar mais alguém por aí também.




HAD I the heavens' embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half-light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams.

William Butler Yeats, He Wishes For The Cloths Of Heaven

domingo, 22 de maio de 2011

Quem sabe?



Bruna Caram - Quem sabe isso não quer dizer amor

domingo, 15 de maio de 2011

Miss Potter




Colecionadora de postais que sou, já havia encontrado um pacote de cartões com desenhos de Beatrix Potter e seu famoso Peter Rabbit. Comprei porque achei os desenhos lindos e eram cartões diferentes. Já tinha ouvido falar do Peter Rabbit, mas acho que ele não fez parte da minha infância, não me lembro (vou ter que perguntar pra minha mãe: "mãe, eu tinha um livro do Peter Rabbit quando era pequena?"). Mas eis que então encontro o filme Miss Potter, com a Renée Zellweger que eu adoro (ela sempre vai ser Bridget Jones pra mim, não adianta), em uma promoção dessas das lojas americanas. Ah, eu não sabia que tinha um filme sobre a Beatrix Potter! Só por causa do coelhinho?, foi o que pensei.
E hoje, nesse domingo punk como eu costumo dizer, peguei o filme pra ver e relaxar a cabeça, porque chega uma determinada hora em que não importa o quanto você ainda quer estudar, seus neurônios simplesmente entram em coma, felizmente só por algumas horas.
E eu fiquei encantada pela história da Beatrix Potter, gente. Uma mulher que sem dúvida estava muito além do seu tempo. Helen Beatrix Potter nasceu em 1866, em uma época em que as mulheres não iam pra escola, isso era permitido apenas aos homens. E ela sempre gostou de desenhar, tinha uma imaginação fantástica. Com o tempo, começou a pressão para que ela se casasse, como acontecia com todas as moças da época. Mas Beatrix disse que não, que não queria se casar com um dos pretendentes que a família havia escolhido pra ela. Ela queria mais da vida. Ela queria continuar fazendo o que ela gostava: seus desenhos. E casamento, só se fosse por amor. Se manter-se firme nessa posição hoje em dia já é complicado, imagina em 1900? Fiquei fã de Beatrix.
A mãe dela detestava o fato de que ela desenhava e não se interessava pelas fofocas e eventos sociais como as outras moças. Mas Beatrix não deixou isso atrapalhar seu sonho e, depois de tentar 69 vezes (isso mesmo, sessenta e nove vezes!!) que alguma editora publicasse seu livro, ela consegue na 70 vez. E os livros de Beatrix começam a vender loucamente. O primeiro livro, the tale of Peter Rabbit, foi publicado pela primeira vez em 1902 e desde então nunca deixou de ser reimpresso. Beatrix ficou rica com seus livros. Mas isso é só uma parte da história.
Acontece que Beatrix se apaixonou por Norman, seu editor na época, uma pessoa que a ajudou muito e que admirava imensamente seu trabalho. Eles ficam noivos, mas a família de Beatrix não aprova o casamento. Na tentativa de fazê-la mudar de ideia, a família leva Beatrix para passar o verão em sua casa de campo no interior da Inglaterra. Eles achavam que ficando 3 meses longe de Norman, Beatrix iria esquecê-lo. Só que um mês depois de ter pedido Beatrix em casamento, Norman adoece enquanto Beatrix está viajando. E quando a irmã de Norman consegue avisar Beatrix por meio de uma carta o que está acontecendo, já é tarde demais. Beatrix fica arrasada com a morte de Norman, e deixa a casa da família sozinha (um ato de imensa coragem para uma mulher solteira na época) e com o dinheiro dos livros compra uma fazenda no interior da Inglaterra, onde se dedica muito ao trabalho para superar a perda de seu amor. Ela era uma apaixonada pela natureza e vendo que muitas outras fazendas ao redor de sua propriedade estavam sendo vendidas, Beatrix começa a comprá-las para manter os agricultores trabalhando na terra e, com isso, preservá-las.
Aos 47 anos, Beatrix se casa com um amigo de infância que, quando ela se muda para a fazenda muito a ajuda com o gerenciamento da propriedade e a compra das outras fazendas, mas isso só 8 anos depois da morte de Norman. E quando ela morreu, ela deixou todas as terras para uma organização destinada a preservar lugares de interesse histórico ou de grande beleza na Inglaterra, beleza essa que podemos ver no filme, cuja fotografia é belíssima.
Hoje sei que tenho na minha coleção de cartões alguns itens muito especiais, com os desenhos de Beatrix Potter, cuja história passei a admirar.
Recomendo muito o filme, que apesar de ser triste em muitos momentos, nos emociona pela coragem e pelo amor ao que se gosta de fazer.
E quem quiser saber mais sobre a história da Beatrix Potter, porque tem muito mais coisa, vale a pena conferir o site lindo que fala sobre isso tudo que eu falei pra vocês aqui e muitas outras coisas, como por exemplo o diário de Beatrix, que permaneceu indecifrável por 15 anos após sua morte, já que ela escrevia em um código que só ela sabia e que foi decifrado muito depois. Nem preciso dizer que o diário foi publicado e que eu já anotei na minha lista de desejos, né?
O link para o site é www.peterrabbit.com
E acabei encontrando a informação de que a J.K. Rowling é grande fã de Beatrix Potter, e dizem as más línguas que é por isso que o nosso pequeno bruxo tem esse sobrenome. Eu acho que pode ser sim, e vocês?

Irgendwas Bleibt

Domingo era pra ser dia de descanso, e tenho saudade do tempo em que era mesmo assim.
Prova, estudo, agora é assim. Mas tem sempre aquela musiquinha que acompanha os dias corridos, porque não dá pra viver sem trilha sonora, minha gente.



*Irgendwas Bleibt = alguma coisa que permaneça