sábado, 12 de fevereiro de 2011

As Três Marias

Uma crônica de saudades

Esse é o primeiro romance de Rachel de Queiroz que leio e fiquei encantada. É realmente uma crônica de saudades, como diz no livro, uma espécie de quase memórias, como se fosse um diário íntimo, narrado em primeira pessoa, que tenta salvar as lembranças da infância e da vida de três amigas em um colégio interno católico e depois quando deixam a escola e seguem pela vida.

Personagens femininas tão marcantes e reais que possibilitam uma identificação muito grande do leitor. Engana-se quem pensa que a presença da vida nordestina limita o texto de Rachel. Pelo contrário, ela apresenta com maestria sentimentos, situações e questionamentos universais, que vão muito além do espaço físico que recria em suas histórias. E o melhor de tudo é a vida e a energia que o texto tem, sua escrita leve faz a gente sentir como se estivesse em uma conversa, como se de fato fosse um contar de história.

Lamentei muito o tempo que passei sem ler Rachel de Queiroz, As Três Marias entrou para os meus favoritos, como um daqueles livros que guardamos com carinho para serem relidos para reavivar a saudade.


Rachel de Queiroz. As três marias. 25ª ed. Rio de Janeiro: José Olimpio, 2009.

Um grito de amor do centro do mundo

Um grito de amor do centro do mundo é o primeiro livro do escritor japonês Kyoichi Katayama traduzido para o português.
O livro é um dos mais lidos no Japão, com mais de 3,5 milhões de exemplares vendidos. Foi adaptado para o cinema e para uma série de TV, além de ter se tornado um mangá de sucesso no Japão.

Essa é uma história de amor adolescente, uma releitura de Romeu e Julieta, mas contada com a sutileza característica dos orientais. Acho que é típico dos escritores japoneses narrarem a história como se pintassem um quadro, sendo delicado nos detalhes, para por fim criar uma imagem poética, onde o silêncio sempre diz mais que as palavras. Por isso, não podemos esperar grandes "arroubos" nesse livro.

Um grito de amor do centro do mundo traz essa sutileza dos japoneses para contar uma história de amor sem final feliz, final esse que ficamos sabendo antes mesmo de conhecer a história de Aki e Sakutarô. A princípio achei que essa inversão de trazer o final para o início do livro quebraria um pouco da emoção de viver no decorrer das páginas essa história de amor, o que de fato não deixa de acontecer um pouco, mas acho que independente de qual seja o final, a gente nunca se cansa de ouvir uma história de amor.


Kyoichi Katayama. Um grito de amor do centro do mundo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

One art

Como hoje se comemora o centenário de nascimento da poeta americana Elizabeth Bishop, decidi compartilhar aqui um poema dela que eu sempre gostei e que é um dos mais famosos de Bishop, creio eu. Porque eu acho que faz bem ler poesia (deveríamos ler mais), porque poesia me anima quando os dias trazem uma pequena nuvem cinza sobre mim. A tradução do poema, a seguir, é de Paulo Henriques Britto.


One Art

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

-Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.




Tradução de Paulo Henriques Britto

“A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério. “

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Segredos


Da série coisas lindas que eu encontro pelo caminho.
Lá do Postsecret.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Dia de festa no mar

Dia dois de fevereiro é dia de festa no mar...






O arquétipo

Os filhos e filhas de Iemanjá são serenos, maternais, sinceros e ajudam a todos sem exceção. Gostam muito de ordem, hierarquia e disciplina. São ingênuos e calmos até demais, mas quando se enfurecem são como as ondas do mar, que batem sem saber onde vão parar. São vaidosos mais com os cabelos. Suas filhas sabem seduzir e encantar com a beleza e mistérios de uma sereia. Geralmente as filhas de Iemanjá têm dificuldade em ter filhos, pois já são mães de coração de todos.




Ai que saudade que eu tenho da Bahia, como diria Caymmi. Salve Iemanjá.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Bagagem

Acho que sou uma pessoa melancólica por natureza. Vez ou outra, no fim do dia, em dias de chuva, ao som de uma música que toca no rádio, ao sentir um perfume que me traz lembranças.
Ontem à noite estava assim, sentindo uma vontade grande de escrever, mas sem saber como começar, sobre o que falar. Sem saber se estudava ou se dormia, se navegava pela internet ou se simplesmente deixava o tempo passar. Pra ver se o tempo levava aquele apertinho no peito, misto de ansiedade e saudade.
Nessas horas só uma coisa me acalma: um pouco de poesia. E ontem foi Adélia Prado que me fez companhia.

Para cantar com o saltério

Te espero desde o acre mel de marimbondos da minha juventude.
Desde quando falei, vou ser cruzado, acompanhar bandeiras,
ser Maria Bonita no bando de Lampião, Anita ou Joana,
desde as brutalidades da minha fé sem dúvidas.
Te espero e não me canso, desde, até agora e para sempre,
amado que virá para pôr sua mão na minha testa
e inventar com sua boca de verdade
o meu nome para mim.

Adélia Prado. Bagagem. São Paulo: Record, 2008. pág. 98


E hoje cedo recebi um cartão postal lindo (esqueci de dizer
que amo cartões postais!), que veio lá dos Estados Unidos,
e quando vi a foto achei que combinava perfeito com esse
post. Melancolia é uma palavra que caminha por cenas assim.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Livros de Janeiro

Livros lidos em Janeiro:

1. Extremamente alto e incrivelmente perto, de Jonathan Safran Foer
2. Na Praia, de Ian McEwan
3. Estação das chuvas, de José Eduardo Agualusa
4. Homem Comum, de Philip Roth
5. Nossa Senhora da Solidão, de Marcela Serrano
6. Um amor literário, de Letícia Malard
7. Uma Mulher, de Péter Esterházy
8. Cordilheira, de Daniel Galera
9. Milagrário Pessoal, de José Eduardo Agualusa
10. Manual Prático de Levitação, de José Eduardo Agualusa
11. A casa pintada, de John Grisham

A meta de leitura para o ano será a mesma de 2010: ler 100 livros. Começamos bem.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Pequenos milagres

"A minha imaginação é tão fértil e veloz como a de um adolescente. As pessoas começam a definhar pela imaginação. Algumas já nascem quase mortas, ou mortas de todo, mas a tal ponto carecem de imaginação que nem dão por isso e insistem em respirar como se estivessem vivas. A mim, pelo contrário, possui-me, sem jamais esmorecer, uma imaginação furiosa. Desperta-me o coração e arrebata-o. Acende-me e alteia-me a carne murcha. Não me deixa morrer".

José Eduardo Agualusa. Milagrário Pessoal. Rio de Janeiro: Língua geral, 2010. pág 80

"A saudade mais sofrida é a que não se pode partilhar na nossa língua". (pág.61)

Porque eu gosto de histórias de amor. Porque declarações de amor às palavras me encantam. O diário de prodígios de Agualusa merece ser lido, pois, como ele mesmo diz "os mialgres acontecem a cada segundo. Os melhores costumam ser discretos. Os grandes são secretos".

sábado, 25 de dezembro de 2010

30 days book meme

Day 13 – Your favorite writer

Essa é uma pergunta difícil para quem ama ler, porque escolher um autor só é injusto, né? Com muito esforço eu consigo citar 5, mas não sem sentir meu coração apertado pelos que não citei. São eles: Inês Pedrosa, Alessandro Baricco, Amós Oz, Gabriel Garcia Marquez e Mario Benedetti.

Day 14 – Favorite book of your favorite writer

Da Inês Pedrosa, A eternidade e o desejo
De Baricco, Seda e Novecentos
De Amós Oz, A caixa preta
De Gabriel Garcia Marquez, Cem anos de solidão
De Mario Benedetti, A trégua

Day 15 – Favorite male character

Martin Santomé, em A trégua

Day 16 – Favorite female character

Paloma e Renée, em A elegância do ouriço

Day 17 – Favorite quote from your favorite book

Tarefa difícil para quem gosta de ler sublinhando aqueles trechos que merecem ser guardados para sempre...

"É isto que amo na leitura: uma pequena coisa o interessa num livro, e essa pequena coisa o leva a outro, e um pedacinho que você lê nele o leva a um terceiro. Isso vai em progressão geométrica - sem nenhuma finalidade em vista, e unicamente por prazer". pág.20
A sociedade literária e a torta da casca de batata

Day 18 – A book that disappointed you

O filho eterno, de Cristóvão Tezza

Day 19 – Favorite book turned into a movie

Novecentos, de Alessandro Baricco
Seda, de Alessandro Baricco
A elegância do ouriço, de Muriel Barbery
O amor nos tempos do cólera, de Gabriel Garcia Marquez
Ensaio sobre a cegueira, José Saramago


Day 20 – Favorite romance book


O amor nos tempos do cólera, de Gabriel Garcia Marquez

Day 21 – Favorite book from your childhood

Meu pé de laranja lima e Um presente para Cláudia.

Day 22 – Favorite book you own

Cabem em uma caixa grande.

Day 23 – A book you wanted to read for a long time but still haven’t

Crime e Castigo

Day 24 – A book that you wish more people would’ve read

Preconceito linguístico, de Marcos Bagno

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

30 days book meme

Day 07 – Most underrated book

Budapeste, de Chico Buarque. Não entendo porque as pessoas não gostam dele, eu amei.

Day 08 – Most overrated book

O filho eterno, de Cristóvão Tezza. Não entendo porque as pessoas gostam tanto dele. Não me conquistou.

Day 09 – A book you thought you wouldn’t like but ended up loving

A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera

Day 10 – Favorite classic book

Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Marquez.

Day 11 – A book you hated

A dançarina de Izu, de Kawabata. Quase morri de tédio.

Day 12 – A book you used to love but don’t anymore

Não consigo me lembrar de nenhum!