segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Livros de Janeiro

Livros lidos em Janeiro:

1. Extremamente alto e incrivelmente perto, de Jonathan Safran Foer
2. Na Praia, de Ian McEwan
3. Estação das chuvas, de José Eduardo Agualusa
4. Homem Comum, de Philip Roth
5. Nossa Senhora da Solidão, de Marcela Serrano
6. Um amor literário, de Letícia Malard
7. Uma Mulher, de Péter Esterházy
8. Cordilheira, de Daniel Galera
9. Milagrário Pessoal, de José Eduardo Agualusa
10. Manual Prático de Levitação, de José Eduardo Agualusa
11. A casa pintada, de John Grisham

A meta de leitura para o ano será a mesma de 2010: ler 100 livros. Começamos bem.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Pequenos milagres

"A minha imaginação é tão fértil e veloz como a de um adolescente. As pessoas começam a definhar pela imaginação. Algumas já nascem quase mortas, ou mortas de todo, mas a tal ponto carecem de imaginação que nem dão por isso e insistem em respirar como se estivessem vivas. A mim, pelo contrário, possui-me, sem jamais esmorecer, uma imaginação furiosa. Desperta-me o coração e arrebata-o. Acende-me e alteia-me a carne murcha. Não me deixa morrer".

José Eduardo Agualusa. Milagrário Pessoal. Rio de Janeiro: Língua geral, 2010. pág 80

"A saudade mais sofrida é a que não se pode partilhar na nossa língua". (pág.61)

Porque eu gosto de histórias de amor. Porque declarações de amor às palavras me encantam. O diário de prodígios de Agualusa merece ser lido, pois, como ele mesmo diz "os mialgres acontecem a cada segundo. Os melhores costumam ser discretos. Os grandes são secretos".

sábado, 25 de dezembro de 2010

30 days book meme

Day 13 – Your favorite writer

Essa é uma pergunta difícil para quem ama ler, porque escolher um autor só é injusto, né? Com muito esforço eu consigo citar 5, mas não sem sentir meu coração apertado pelos que não citei. São eles: Inês Pedrosa, Alessandro Baricco, Amós Oz, Gabriel Garcia Marquez e Mario Benedetti.

Day 14 – Favorite book of your favorite writer

Da Inês Pedrosa, A eternidade e o desejo
De Baricco, Seda e Novecentos
De Amós Oz, A caixa preta
De Gabriel Garcia Marquez, Cem anos de solidão
De Mario Benedetti, A trégua

Day 15 – Favorite male character

Martin Santomé, em A trégua

Day 16 – Favorite female character

Paloma e Renée, em A elegância do ouriço

Day 17 – Favorite quote from your favorite book

Tarefa difícil para quem gosta de ler sublinhando aqueles trechos que merecem ser guardados para sempre...

"É isto que amo na leitura: uma pequena coisa o interessa num livro, e essa pequena coisa o leva a outro, e um pedacinho que você lê nele o leva a um terceiro. Isso vai em progressão geométrica - sem nenhuma finalidade em vista, e unicamente por prazer". pág.20
A sociedade literária e a torta da casca de batata

Day 18 – A book that disappointed you

O filho eterno, de Cristóvão Tezza

Day 19 – Favorite book turned into a movie

Novecentos, de Alessandro Baricco
Seda, de Alessandro Baricco
A elegância do ouriço, de Muriel Barbery
O amor nos tempos do cólera, de Gabriel Garcia Marquez
Ensaio sobre a cegueira, José Saramago


Day 20 – Favorite romance book


O amor nos tempos do cólera, de Gabriel Garcia Marquez

Day 21 – Favorite book from your childhood

Meu pé de laranja lima e Um presente para Cláudia.

Day 22 – Favorite book you own

Cabem em uma caixa grande.

Day 23 – A book you wanted to read for a long time but still haven’t

Crime e Castigo

Day 24 – A book that you wish more people would’ve read

Preconceito linguístico, de Marcos Bagno

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

30 days book meme

Day 07 – Most underrated book

Budapeste, de Chico Buarque. Não entendo porque as pessoas não gostam dele, eu amei.

Day 08 – Most overrated book

O filho eterno, de Cristóvão Tezza. Não entendo porque as pessoas gostam tanto dele. Não me conquistou.

Day 09 – A book you thought you wouldn’t like but ended up loving

A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera

Day 10 – Favorite classic book

Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Marquez.

Day 11 – A book you hated

A dançarina de Izu, de Kawabata. Quase morri de tédio.

Day 12 – A book you used to love but don’t anymore

Não consigo me lembrar de nenhum!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

30 days book meme

Como hoje já é dia 6, vou responder as 6 primeiras perguntas. Confesso que já começei a achar difícil dizer apenas 1 livro pra cada pergunta, mas vamos lá:

Day 01 – Best book you read last year

Um dos melhores de 2009 foi Travessuras da menina má, do Mario Vargas Llosa. Impossível de largar.

Day 02 – A book that you’ve read more than 3 times

A Máquina, da Adriana Falcão;
Novecentos, do Alessandro Baricco;
O conto da ilha desconhecida, do José Saramago
Novos contos da montanha, de Miguel Torga.
Só me lembro desses, não tenho o hábito de ler o mesmo livro mais de uma vez.

Day 03 – Your favorite series

As Brumas de Avalon. Sem dúvida inesquecível.

Day 04 – Favorite book of your favorite series

O primeiro volume das Brumas de Avalon, foi o que eu mais gostei.

Day 05 – A book that makes you happy

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata. Tão bom que a gente fica com saudade quanto termina. É uma leitura leve e alegre, apesar do tema. Me identifico muito com esse livro e recomendo para todo mundo.

Day 06 – A book that makes you sad

Qualquer livro que fale sobre o holocausto. Esse ano li alguns como Night, de Elie Wiesel, Eu sou o último judeu e A trégua, e todos eles me deixaram super pra baixo. Chorei e cheguei a sentir enjôo de tanto que o livro mexeu comigo.

domingo, 5 de dezembro de 2010

30 days book meme

A Juliana lançou esse meme que eu adorei lá no blog dela, Woman reading with peaches. Vou respondendo aos pouquinhos, se eu conseguir, diariamente. Vamos?

Day 01 – Best book you read last year
Day 02 – A book that you’ve read more than 3 times
Day 03 – Your favorite series
Day 04 – Favorite book of your favorite series
Day 05 – A book that makes you happy
Day 06 – A book that makes you sad
Day 07 – Most underrated book
Day 08 – Most overrated book
Day 09 – A book you thought you wouldn’t like but ended up loving
Day 10 – Favorite classic book
Day 11 – A book you hated
Day 12 – A book you used to love but don’t anymore
Day 13 – Your favorite writer
Day 14 – Favorite book of your favorite writer
Day 15 – Favorite male character
Day 16 – Favorite female character
Day 17 – Favorite quote from your favorite book
Day 18 – A book that disappointed you
Day 19 – Favorite book turned into a movie
Day 20 – Favorite romance book
Day 21 – Favorite book from your childhood
Day 22 – Favorite book you own
Day 23 – A book you wanted to read for a long time but still haven’t
Day 24 – A book that you wish more people would’ve read
Day 25 – A character who you can relate to the most
Day 26 – A book that changed your opinion about something
Day 27 – The most surprising plot twist or ending
Day 28 – Favorite title
Day 29 – A book everyone hated but you liked
Day 30 – Your favorite book of all time

Achei!

(foto: Real Simple)


Definitivamente, encontrei a minha árvore de natal. Fala a verdade se não é a minha cara, gente? :)
O espírito natalino já está chegando por aqui. Ou não.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

De um amor maior ainda

Acho que tenho muitas manias. Quando leio um livro, tento não abrir muito as páginas para não machucá-lo. Sempre ao final parece novo, nunca lido. A não ser pelos sublinhados bem de leve nas partes que eu gosto mais, nos trechos mais bonitos. Mas tem que me encantar muito para eu fazer isso, não é em todo livro. Mas sempre tem uma lapiseira ao lado, e o meu moleskine de citações mais que lindas. Esses me acompanham sempre. Jamais dobro as páginas de um livro, acho isso um sacrilégio. Nunca, em hipótese alguma, vou deixar o livro aberto, emborcado para baixo, para marcar uma página (a minha irmã faz isso e me enlouquece. Acho que por conta de ficar tão aflita por isso, desenvolvi uma outra mania: ter muitos marcadores de livros. Faço o possível para nunca faltar um marcador perto dela, assim não tem desculpas para deixar os livros de castigo olhando pra baixo). Já cansei de comprar um livro pra mim e outro para dar de presente, porque também quero ter (acho que não sou a única). Também já fiz o exercício de ler os livros de uma biblioteca e não comprar todos de que gostei. Acho que dá certo.
Meu maior vício é não conseguir passar na frente de uma livraria e não entrar para olhar as estantes. Na livraria, enquanto olho as prateleiras, sou daquelas que consertam os livros que estiverem no lugar errado. Apago com uma borracha os riscos que encontrar em um livro de biblioteca (outro sacrilégio). Como sempre compro livros, a estante que eu tinha já não cabia mais. Então ganhei mais uma, igual, para colocar lado a lado. No final do ano passado. Hoje ela também já está lotada (porém organizada), mas ao lado de minha mesa já tem duas pilhas de livros, infelizmente no chão, porque eu não tenho mais lugar para colocar e o meu quarto ainda é o lugar mais seguro. Já doei um monte, só me arrependi de alguns. Já troquei um monte, também só me arrependi de alguns.
Organizo a estante de um jeito meu: antes tentei separar os autores nacionais dos estrangeiros, e acho que isso se mantém mais ou menos. Tem as prateleiras dos favoritos onde estão todos da Inês, todos do Baricco, grande parte dos da Clarice, da Adélia e do Saramago. Tem uma prateleira só de livros de culinária ou que falem desse amor por fazer magia. Tem uma prateleira só sobre livros que falam de livros e de leitura. Uma outra só dos livros sobre tradução (outra paixão minha). Tem uma prateleira só de livros em inglês e agora alguns também em alemão. Tem uma prateleira só dessa coleção linda da Alfaguara, com vários autores. Mas acho que tento sempre colocar os livros de determinado autor juntos. Engraçado que sei onde está tudo. Será que mais alguém gosta de ficar olhando para a estante quando está de bobeira pensando na vida ou é loucura só minha?
Assim que compro o livro, anoto o nome, local e data com um lápis na folha de rosto. Agora estou com a mania de colocar a nota fiscal dentro do livro (quem sabe para ver que estou gastando demais e diminuir as compras? não está dando muito certo...). Anoto todos os livros lidos no ano em um moleskine, isso depois do skoob, claro. Tenho mania de fazer listas dos livros que vou ler, que mudam sempre. Desejados, idem.
E o resto acho que vocês já sabem: eu empurro meus livros nas pessoas. Acho que eles têm um efeito terapêutico. Se um amigo desabafa sobre um assunto, sempre tenho um livro que vai servir para o que ele está sentindo. E depois voltam viciados: me indica mais um livro? :) E isso me deixa muito feliz. Escrevo sobre o que li para guardar, só para mim. Adoro dar livros de presente, fico sempre imaginando o que a pessoa vai gostar. Na minha casa não tem mais espaço e todo mundo reclama, mas eu digo que eles vão comigo para onde eu for. Mas não sei até quando, nem como. Tenho fases de desapego, e outras de querer guardar para os meus filhos, e elas se alternam. Mas uma coisa nunca muda: quando me perguntam o que eu quero ganhar de natal ou de aniversário, a resposta é sempre a mesma: livros! =]
E o meu paraíso é, sim, uma biblioteca.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Noite




Em 1944, Elie Wiesel e sua família, além de todos os judeus da região onde morava, foram levados para o campo de concentração de Auschwitz. "Night" narra todos os acontecimentos terríveis dessa crueldade sem tamanho, desde antes da chegada das tropas alemãs.
Foi uma surpresa pAra mim ler que os judeus foram levados para os campos sem resistir e sem saber o que os esparava por lá. Muitos deles acreditavam que estavam sendo levados para algum lugar um pouco mais distante do centro da guerra, um lugar mais seguro. Isso até chegar em Auschwitz.

Elie Wiesel perdeu a mãe e a irmã logo ao chegar ao campo de concentração. E durante todo o livro vemos a dor de uma criança e de um pai, ambos lutando contra a própria morte, para não se perderem um do outro. E vemos também que em condições tão absurdas, de uma imensa crueldade, o que prevalece é o instinto de sobrevivência de cada um.

Essa certamente não é uma leitura fácil, mas acredito que é indispensável. Por mais difícil que seja ler sobre algo tão doloroso. Mas, como diz o próprio Wiesel no livro: "esquecer não seria apenas perigoso, mas uma ofensa; esquecer os que morreram seria o mesmo que matá-los uma segunda vez".

Elie Wiesel recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 10 de dezembro de 1986 e o livro inclui ao final o discurso do autor quando recebeu o prêmio.

Definitivamente, um livro que merece ser lido.

"Sometimes I am asked if I know "the response to Auschwitz"; I answer that not only do I not know it, but that I don't know if a tragedy of this magnitude has a response. What I do know is that there is "response" in responsibility. When we speak of this era of evil and darkness, so close and yet so distant, "responsibility" is the key word.
The witness has forced himself to testify. For the youth of today, for the children who will be born tomorrow. He does not want his past to become their future". (do prefácio)

***

"Never shall I forget that night, the first night in camp, that turned my life into one long night seven times sealed.
Never shall I forget that smoke.
Never shall I forget the small faces of the children whose bodies I saw transformed into smoke under a silent sky.
Never shall I forget those flames that consumed my faith forever.
Never shall I forget the nocturnal silence that deprived me for all eternity of the desire to live.
Never shall I forget those moments that murdered my God and my soul and turned my dreams into ashes.
Never shall I forget those things, even were I condemned to live as long as God Himself.
Never."

Trecho extraído do livro "Night", de Elie Wiesel, sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz e ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1986.

A tradução livre a seguir é minha, apenas para facilitar a leitura de quem não lê em inglês:

"Nunca esquecerei aquela noite, a primeira no campo de concentração, que transformou a minha vida em uma noite sem fim.
Nunca esquecerei aquela fumaça.
Nunca esquecerei os rostos tão pequenos daquelas crianças, cujos corpos eu vi virarem fumaça sob um céu de silêncio.
Nunca esquecerei aquelas chamas que consumiram a minha fé para sempre.
Nunca esquecerei o silêncio noturno que destruiu por toda a eternidade o meu desejo de viver.
Nunca esquecerei aqueles momentos que assassinaram o meu Deus e a minha alma e transformaram em cinzas os meus sonhos.
Nunca esquecerei aquelas coisas, mesmo que estivesse condenado a viver tanto tempo quanto o próprio Deus.
Nunca."


domingo, 24 de outubro de 2010

A trégua

É isto mesmo uma trégua?

Apesar de ter o mesmo título, esse livro não tem semelhança nenhuma com A trégua do meu querido Mario Benedetti. Primo Levi foi um judeu italiano que foi preso em Auschwitz, o famoso campo de concentração nazista na época da guerra. A questão é que ele "sobreviveu" ao campo de concentração (e o livro nos faz pensar muito se é realmente possível sobreviver a tanta barbárie) e depois disso, como que para se libertar do sofrimento imenso que essa experiência lhe causou, ou pelo menos tentar, ele escreveu vários livros sobre o assunto.

Comecei por A trégua porque julguei que não seria tão pesado assim, já que ele narra os acontecimentos a partir do dia que a guerra acabou e que ele foi libertado. Um engano. Porque eu ingenuamente pensava que os sobreviventes voltaram para seus lares imediatamente após o término da guerra, e finalmente teriam um pouco de paz, mas não foi isso que ocorreu. Ele só conseguiu retornar para a Itália meses depois e, quando foi libertado, doente tanto fisicamente quanto emocionalmente, sem dinheiro, sem roupas adequadas, sem sapatos, tendo que caminhar no frio (e o frio da Polônia quer dizer neve) e lidar com a burocracia dos "vencedores", pois a dificuldade de voltar para sua terra natal era imensa devido ao rigor nas fronteiras, ao impecilho do idioma e também à natureza humana, entre outras coisas.

Um livro que me deixou sem dormir ontem, e que me levou às lágrimas algumas vezes, mas que considero indispensável. Não só para quem se interessa pela cultura e história da Alemanha (tenho tentado ler mais sobre o assunto para entender um pouco mais sobre o que escrevem os autores alemães, porque eles carregam esse peso e isso se reflete muito na literatura alemã, o que nem sempre a gente compreende), mas para todos nós, para que essas coisas nunca mais se repitam, para que a gente reflita sobre os absurdos da natureza humana.

Agora estou me preparando (e preparando as lágrimas, porque está aí um tema que acaba comigo e que dói demais de ler) para ler "É isto um homem?", livro do mesmo autor que narra todo o período em que o autor esteve preso em Auschwitz. Um dos relatos mais importantes sobre o Holocausto. Recomendo, mas aviso aos corações sensíveis como o meu que se preparem.

"Na subida para a fronteira italiana o trem, mais cansado do que nós, partiu-se em dois, como um fio demasiadamente esticado: muitos ficaram feridos, e essa foi a última aventura. No meio da noite, passamos o Brenner, que tínhamos atravessado para o exílio vinte meses antes: os companheiros menos sofridos, em alegre tumulto; Leonardo e eu, num silêncio transido de memória. De seiscentos e cinquenta, todos os que então partíramos, voltávamos três. E quanto perdêramos naqueles vinte meses? O que encontraríamos em casa? Quanto de nós fora corroído, apagado? Retornávamos mais ricos ou mais pobres, mais fortes ou mais vazios? Não sabíamos; mas sabíamos que nas soleiras de nossas casas, para o bem ou para o mal, nos esperava uma provação, e a antecipávamos com temor. Sentíamos fluir nas veias, junto com o sangue extenuado, veneno de Auschwitz: onde iríamos conseguir forças para voltar a viver, para cortar as sebes, que crescem espontaneamente durante todas as ausências, em torno de toda casa deserta, de toda toca vazia? Logo, amanhã mesmo, devíamos lutar contra inimigos ignorados, dentro e fora de nós mesmos: com que armas, com que energia, com que vontade?" [página 211]

LEVI, Primo. A trégua. São Paulo: Companhia de bolso, 2010.