domingo, 5 de dezembro de 2010

Achei!

(foto: Real Simple)


Definitivamente, encontrei a minha árvore de natal. Fala a verdade se não é a minha cara, gente? :)
O espírito natalino já está chegando por aqui. Ou não.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

De um amor maior ainda

Acho que tenho muitas manias. Quando leio um livro, tento não abrir muito as páginas para não machucá-lo. Sempre ao final parece novo, nunca lido. A não ser pelos sublinhados bem de leve nas partes que eu gosto mais, nos trechos mais bonitos. Mas tem que me encantar muito para eu fazer isso, não é em todo livro. Mas sempre tem uma lapiseira ao lado, e o meu moleskine de citações mais que lindas. Esses me acompanham sempre. Jamais dobro as páginas de um livro, acho isso um sacrilégio. Nunca, em hipótese alguma, vou deixar o livro aberto, emborcado para baixo, para marcar uma página (a minha irmã faz isso e me enlouquece. Acho que por conta de ficar tão aflita por isso, desenvolvi uma outra mania: ter muitos marcadores de livros. Faço o possível para nunca faltar um marcador perto dela, assim não tem desculpas para deixar os livros de castigo olhando pra baixo). Já cansei de comprar um livro pra mim e outro para dar de presente, porque também quero ter (acho que não sou a única). Também já fiz o exercício de ler os livros de uma biblioteca e não comprar todos de que gostei. Acho que dá certo.
Meu maior vício é não conseguir passar na frente de uma livraria e não entrar para olhar as estantes. Na livraria, enquanto olho as prateleiras, sou daquelas que consertam os livros que estiverem no lugar errado. Apago com uma borracha os riscos que encontrar em um livro de biblioteca (outro sacrilégio). Como sempre compro livros, a estante que eu tinha já não cabia mais. Então ganhei mais uma, igual, para colocar lado a lado. No final do ano passado. Hoje ela também já está lotada (porém organizada), mas ao lado de minha mesa já tem duas pilhas de livros, infelizmente no chão, porque eu não tenho mais lugar para colocar e o meu quarto ainda é o lugar mais seguro. Já doei um monte, só me arrependi de alguns. Já troquei um monte, também só me arrependi de alguns.
Organizo a estante de um jeito meu: antes tentei separar os autores nacionais dos estrangeiros, e acho que isso se mantém mais ou menos. Tem as prateleiras dos favoritos onde estão todos da Inês, todos do Baricco, grande parte dos da Clarice, da Adélia e do Saramago. Tem uma prateleira só de livros de culinária ou que falem desse amor por fazer magia. Tem uma prateleira só sobre livros que falam de livros e de leitura. Uma outra só dos livros sobre tradução (outra paixão minha). Tem uma prateleira só de livros em inglês e agora alguns também em alemão. Tem uma prateleira só dessa coleção linda da Alfaguara, com vários autores. Mas acho que tento sempre colocar os livros de determinado autor juntos. Engraçado que sei onde está tudo. Será que mais alguém gosta de ficar olhando para a estante quando está de bobeira pensando na vida ou é loucura só minha?
Assim que compro o livro, anoto o nome, local e data com um lápis na folha de rosto. Agora estou com a mania de colocar a nota fiscal dentro do livro (quem sabe para ver que estou gastando demais e diminuir as compras? não está dando muito certo...). Anoto todos os livros lidos no ano em um moleskine, isso depois do skoob, claro. Tenho mania de fazer listas dos livros que vou ler, que mudam sempre. Desejados, idem.
E o resto acho que vocês já sabem: eu empurro meus livros nas pessoas. Acho que eles têm um efeito terapêutico. Se um amigo desabafa sobre um assunto, sempre tenho um livro que vai servir para o que ele está sentindo. E depois voltam viciados: me indica mais um livro? :) E isso me deixa muito feliz. Escrevo sobre o que li para guardar, só para mim. Adoro dar livros de presente, fico sempre imaginando o que a pessoa vai gostar. Na minha casa não tem mais espaço e todo mundo reclama, mas eu digo que eles vão comigo para onde eu for. Mas não sei até quando, nem como. Tenho fases de desapego, e outras de querer guardar para os meus filhos, e elas se alternam. Mas uma coisa nunca muda: quando me perguntam o que eu quero ganhar de natal ou de aniversário, a resposta é sempre a mesma: livros! =]
E o meu paraíso é, sim, uma biblioteca.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Noite




Em 1944, Elie Wiesel e sua família, além de todos os judeus da região onde morava, foram levados para o campo de concentração de Auschwitz. "Night" narra todos os acontecimentos terríveis dessa crueldade sem tamanho, desde antes da chegada das tropas alemãs.
Foi uma surpresa pAra mim ler que os judeus foram levados para os campos sem resistir e sem saber o que os esparava por lá. Muitos deles acreditavam que estavam sendo levados para algum lugar um pouco mais distante do centro da guerra, um lugar mais seguro. Isso até chegar em Auschwitz.

Elie Wiesel perdeu a mãe e a irmã logo ao chegar ao campo de concentração. E durante todo o livro vemos a dor de uma criança e de um pai, ambos lutando contra a própria morte, para não se perderem um do outro. E vemos também que em condições tão absurdas, de uma imensa crueldade, o que prevalece é o instinto de sobrevivência de cada um.

Essa certamente não é uma leitura fácil, mas acredito que é indispensável. Por mais difícil que seja ler sobre algo tão doloroso. Mas, como diz o próprio Wiesel no livro: "esquecer não seria apenas perigoso, mas uma ofensa; esquecer os que morreram seria o mesmo que matá-los uma segunda vez".

Elie Wiesel recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 10 de dezembro de 1986 e o livro inclui ao final o discurso do autor quando recebeu o prêmio.

Definitivamente, um livro que merece ser lido.

"Sometimes I am asked if I know "the response to Auschwitz"; I answer that not only do I not know it, but that I don't know if a tragedy of this magnitude has a response. What I do know is that there is "response" in responsibility. When we speak of this era of evil and darkness, so close and yet so distant, "responsibility" is the key word.
The witness has forced himself to testify. For the youth of today, for the children who will be born tomorrow. He does not want his past to become their future". (do prefácio)

***

"Never shall I forget that night, the first night in camp, that turned my life into one long night seven times sealed.
Never shall I forget that smoke.
Never shall I forget the small faces of the children whose bodies I saw transformed into smoke under a silent sky.
Never shall I forget those flames that consumed my faith forever.
Never shall I forget the nocturnal silence that deprived me for all eternity of the desire to live.
Never shall I forget those moments that murdered my God and my soul and turned my dreams into ashes.
Never shall I forget those things, even were I condemned to live as long as God Himself.
Never."

Trecho extraído do livro "Night", de Elie Wiesel, sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz e ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1986.

A tradução livre a seguir é minha, apenas para facilitar a leitura de quem não lê em inglês:

"Nunca esquecerei aquela noite, a primeira no campo de concentração, que transformou a minha vida em uma noite sem fim.
Nunca esquecerei aquela fumaça.
Nunca esquecerei os rostos tão pequenos daquelas crianças, cujos corpos eu vi virarem fumaça sob um céu de silêncio.
Nunca esquecerei aquelas chamas que consumiram a minha fé para sempre.
Nunca esquecerei o silêncio noturno que destruiu por toda a eternidade o meu desejo de viver.
Nunca esquecerei aqueles momentos que assassinaram o meu Deus e a minha alma e transformaram em cinzas os meus sonhos.
Nunca esquecerei aquelas coisas, mesmo que estivesse condenado a viver tanto tempo quanto o próprio Deus.
Nunca."


domingo, 24 de outubro de 2010

A trégua

É isto mesmo uma trégua?

Apesar de ter o mesmo título, esse livro não tem semelhança nenhuma com A trégua do meu querido Mario Benedetti. Primo Levi foi um judeu italiano que foi preso em Auschwitz, o famoso campo de concentração nazista na época da guerra. A questão é que ele "sobreviveu" ao campo de concentração (e o livro nos faz pensar muito se é realmente possível sobreviver a tanta barbárie) e depois disso, como que para se libertar do sofrimento imenso que essa experiência lhe causou, ou pelo menos tentar, ele escreveu vários livros sobre o assunto.

Comecei por A trégua porque julguei que não seria tão pesado assim, já que ele narra os acontecimentos a partir do dia que a guerra acabou e que ele foi libertado. Um engano. Porque eu ingenuamente pensava que os sobreviventes voltaram para seus lares imediatamente após o término da guerra, e finalmente teriam um pouco de paz, mas não foi isso que ocorreu. Ele só conseguiu retornar para a Itália meses depois e, quando foi libertado, doente tanto fisicamente quanto emocionalmente, sem dinheiro, sem roupas adequadas, sem sapatos, tendo que caminhar no frio (e o frio da Polônia quer dizer neve) e lidar com a burocracia dos "vencedores", pois a dificuldade de voltar para sua terra natal era imensa devido ao rigor nas fronteiras, ao impecilho do idioma e também à natureza humana, entre outras coisas.

Um livro que me deixou sem dormir ontem, e que me levou às lágrimas algumas vezes, mas que considero indispensável. Não só para quem se interessa pela cultura e história da Alemanha (tenho tentado ler mais sobre o assunto para entender um pouco mais sobre o que escrevem os autores alemães, porque eles carregam esse peso e isso se reflete muito na literatura alemã, o que nem sempre a gente compreende), mas para todos nós, para que essas coisas nunca mais se repitam, para que a gente reflita sobre os absurdos da natureza humana.

Agora estou me preparando (e preparando as lágrimas, porque está aí um tema que acaba comigo e que dói demais de ler) para ler "É isto um homem?", livro do mesmo autor que narra todo o período em que o autor esteve preso em Auschwitz. Um dos relatos mais importantes sobre o Holocausto. Recomendo, mas aviso aos corações sensíveis como o meu que se preparem.

"Na subida para a fronteira italiana o trem, mais cansado do que nós, partiu-se em dois, como um fio demasiadamente esticado: muitos ficaram feridos, e essa foi a última aventura. No meio da noite, passamos o Brenner, que tínhamos atravessado para o exílio vinte meses antes: os companheiros menos sofridos, em alegre tumulto; Leonardo e eu, num silêncio transido de memória. De seiscentos e cinquenta, todos os que então partíramos, voltávamos três. E quanto perdêramos naqueles vinte meses? O que encontraríamos em casa? Quanto de nós fora corroído, apagado? Retornávamos mais ricos ou mais pobres, mais fortes ou mais vazios? Não sabíamos; mas sabíamos que nas soleiras de nossas casas, para o bem ou para o mal, nos esperava uma provação, e a antecipávamos com temor. Sentíamos fluir nas veias, junto com o sangue extenuado, veneno de Auschwitz: onde iríamos conseguir forças para voltar a viver, para cortar as sebes, que crescem espontaneamente durante todas as ausências, em torno de toda casa deserta, de toda toca vazia? Logo, amanhã mesmo, devíamos lutar contra inimigos ignorados, dentro e fora de nós mesmos: com que armas, com que energia, com que vontade?" [página 211]

LEVI, Primo. A trégua. São Paulo: Companhia de bolso, 2010.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Os íntimos


Sou uma grande fã da Inês Pedrosa e aguardei o lançamento desse livro com muita ansiedade. Saí correndo para ir até a livraria assim que recebi um email avisando que o meu exemplar já havia chegado. Isso seria algo normal se o email não tivesse chegado às 9 da noite e a livraria fechasse às 10. Não dava para esperar mais; estava com saudade de ler a Inês.

E coitada da Inês por ter que corresponder a uma expectativa tão alta assim, porque quase sempre quando a expectativa é alta dificilmente o livro, por melhor que seja, consegue nos satisfazer. Os críticos estão dizendo que "Os íntimos" talvez seja a melhor obra da Inês Pedrosa e devo dizer aqui que não concordo. Acho que o livro do desassossego da Inês, como ela mesmo diz, é o "Fazes-me falta". E na minha simples opinião de leitora, também o são o "Nas tuas mãos" e "A eternidade e o desejo". Esses sim são os melhores.

Em "O íntimos" vi uma Inês mais irônica, com mais humor, intercalando diferentes vozes e estilos narrativos para nos contar a história de cinco amigos que se reúnem em um bar de Lisboa para beber, assistir a um jogo de futebol e falar sobretudo de mulheres. Apesar de explorar o ponto de vista masculino nessa história, as mulheres continuam a permear todo o universo narrativo de Inês Pedrosa e mostram os conflitos e as dores mais profundas dos personagens. Mas acho que eu senti falta de uma dose maior de paixão. O livro não comove tanto quanto os outros três já citados, mas não deixou de ser interessante ver essa mudança na autora.

Posso dizer que os livros da Inês Pedrosa exercem certo encantamento sobre mim. Ler Os íntimos foi uma leitura prazerosa e, como sempre, eu fico com um gostinho de "quero mais".

"A mesma dor nunca é a mesma. Preciso do traço da caneta que liga o silêncio da morte às palavras da vida. Deixo-me ensopar pela chuva, como se flutuasse dentro de um céu arruinado. É uma sensação agradável. Reparo que o caderno de Jerusa, pendurado do bolso exterior da minha gabardina, está completamente ensopado. Ilegível. Não me pertencia. Porque insisti em copiá-lo, reescrevê-lo, romanceá-lo? Eu nem gosto de romances. Pretendia meter-me na cabeça de uma mulher. Arrogância? Estupidez: a cabeça de uma mulher, a cabeça de um homem. Classificações abstratas que nos impedem de ver o que existe: um formigueiro humano sem sentido algum". [p.197]

Inês Pedrosa. Os íntimos. Ed. Alafaguara, 2010.

Cavalos Roubados


"E afinal somos nós que decidimos quando vai doer"

Li essa semana o livro "Cavalos Roubados", do escritor norueguês Per Petterson, e achei interessante a história desse homem de 67 anos que busca o isolamento ao final de sua vida, mas que acaba se reencontrando com seu passado e suas lembranças. O livro tem uma prosa contida e intimista, e é bastante melancólico. Fala de perdas, de solidão, das coisas que não dizemos, mas que sentimos e, principalmente, das escolhas que fazemos em nossas vidas. O que eu mais gostei é que ele nos faz pensar nessa escolha que podemos fazer até nas situações mais difíceis pelas quais tenhamos que passar: "somos nós que decidimos quando vai doer".

Per Petterson. Cavalos roubados. Ed. Verus, 2010.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O Sr. Pip



Mais um livro que fala sobre o amor aos livros que me cativou. Um homem branco em uma ilha onde a população nativa é negra e onde uma guerrilha destrói a vida das pessoas. Enfrentando todos os preconceitos por ser o único branco do local, ele decide dar aulas para as crianças da região, que por conta dos conflitos não tinham mais escola há um bom tempo. É lendo um exemplar de Grandes Esperanças, um capítulo a cada aula, que ele ajuda aquelas crianças a criar um mundo novo, longe de todos os problemas e sofrimentos, onde possam sonhar. E então Pip, personagem principal da obra de Dickens, acaba por se tornar um amigo e muitas coisas acontecerão na aldeia por conta disso. O final do livro foi surpreendente para mim, não pude evitar as lágrimas nos olhos diante de situações tão tristes, mas mesmo assim ficou a sensação de esperança de que um livro pode realmente transformar a vida de muitas pessoas, mesmo em situações tão adversas, e que um professor, mesmo que não tenha o reconhecimento que mereça, provoca mudanças muito positivas em muitas vidas.
Achei o livro lindo e recomendo para todo mundo que gosta de ler. E se você já tiver lido Grandes Esperanças de Charles Dickens, melhor. Assim todas as referências serão identificadas com mais facilidade. Mas se ainda não leu, não tem problema. Tenho certeza de que depois de ler esse livro você procurará logo ler Grandes esperanças.

"É impossível fingir que está lendo um livro. Seus olhos irão traí-lo. Assim como sua respiração. Uma pessoa fascinada por um livro simplesmente se esquece de respirar. A casa pode pegar fogo, e o leitor mergulhado num livro só erguerá os olhos quando o papel de parede estiver em chamas". [pág. 168]

Lloyd Jones. O Sr. Pip. Editora Rocco, 2007. 272 páginas. Tradução: Léa Viveiros de Castro

Pequena Abelha


O livro chamou minha atenção não só por essa capa diferente, mas por seguir a linha do Menino do Pijama Listrado, em que não temos nenhuma informação sobre a história de fato na capa e contra-capa. A única coisa que sabemos é que duas mulheres, com vidas completamente diferentes, se encontram e esse encontro mudará suas vidas para sempre.
Não quero contar muito sobre a história para não estragar a expectativa de quem pretende ler, mas eu gostei muito da forma como o livro é escrito, intercalando as vozes das duas personagens. E gostei principalmente do início, quando o autor fala sobre a linguagem como instrumento de poder, de dominação. Apesar de ser uma história fictícia, acho que ela se baseia em histórias de vidas de pessoas reais, que sofrem horreres que nós, em nosso mundo tão confortável, nem chegamos a imaginar ser possível. Algumas passagens chocam pela crueldade e brutalidade que nós sabemos que infelizmente ainda hoje habitam os corações dos homens. Mas mesmo nesses momentos dá pra sentir um desejo de viver e de ter esperança na vida e nas pessoas. Uma história bem triste, mas que certamente nos faz pensar um pouco nessas zonas de conflito que raramente são noticiadas nos jornais, ou quando são noticiadas isso é feito com superficialidade, mas que continuam a existir.

""Nas pernas escuras da moça havia muitas cicatrizes brancas pequeninas. E pensei: Será que essas cicatrizes estão no seu corpo inteiro, como as luas e as estrelas no seu vestido? Achei que isso também seria bonito, e peço-lhe nesse instante que faça o favor de concordar comigo que uma cicatriz nunca é feia. Isto é o que aqueles que produzem as cicatrizes em nós querem que pensemos. Mas você e eu temos de fazer um acordo e desafiá-los. Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser nosso segredo. Uma cicatriz significa: "Eu sobrevivi". [pág. 17]"

Chris Cleave. Pequena Abelha. Ed. Intrínseca, 2010. 272 páginas. Tradução: Maria Luiza Newlands

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Medo

"Marcelo adormecia logo a seguir a fazer amor. Dobrava a almofada entre as pernas e tombava no sono. Eu ficava só, desperta, ruminando o tempo. No início via na atitude de Marcelo um sinal de insuportável egoísmo. Depois, já muito tarde, entendi. Os homens não olham as mulheres que acabaram de amar porque têm medo. Têm medo do que podem encontrar no fundo dos olhos delas."

Mia Couto. Antes de nascer o mundo. Companhia das letras, 2009. pág. 142