quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
One.
Porque em dias assim, quando meu coração fica triste e de saco cheio de muita coisa errada que eu vejo por aí, só U2 me salva.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
A sociedade literária e a torta de casca de batata
Sempre gostei de escrever cartas. Elas contam tantas histórias, aproximam tanto as pessoas, que acho uma pena que quase ninguém mais as escreva. Os livros contados por meio de cartas, chamados de romance epistolar, sempre foram para mim um atrativo a mais. Quem não gostaria de ter permissão para ler as cartas que outros receberam? Contado através de cartas, A sociedade literária e a torta de casca de batata é um livro feito a quatro mãos. Começou a ser escrito pela bibliotecária Mary Ann Shaffer, já com mais de 70 anos de idade, e terminou de ser escrito por Annie Barrows, sobrinha de Mary Ann. A bibliotecária infelizmente não chegou a ver o livro terminado, nem o sucesso que ele alcançou no mundo inteiro, pois faleceu em 2008. Mas a história criada por Mary Ann continua encantando leitores de todas as idades. Dizem que os direitos foram comprados por Hollywood e que será transformado em filme ainda esse ano.
Um livro com amizades tão bonitas, que talvez você fique até triste por perceber que nunca teve uma amizade assim. Amizades nascidas em uma sociedade literária (que tem um nome esquisito mesmo, que dá título ao livro, mas pode apostar que você só vai querer saber a razão do nome quando estiver lendo).
Um livro que fala do quanto os livros, a arte, a poesia, podem mudar a vida da gente. E esse amor pelos livros está em cada página. É certamente um dos livros mais doces que eu já li. Por que nele eu vi muitas coisas bonitas nas quais acredito. Por que ele certamente me lembrará dessas coisas bonitas. Por que eu gostaria muito de escrever cartas para esses amigos e falar com eles sobre os livros de que gostei ou sobre qualquer outra coisa. E a parte mais dura da história talvez seja se convencer de que esses personagens foram mesmo inventados, de tão verdadeiros que eles são.
Um livro que fala sobre guerra, pois a ilha onde os habitantes da sociedade literária moraram, a ilha de Guernsey, foi ocupada pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. E as coisas horríveis que aconteceram nessa época, e com as quais já nos horrorizamos tantas vezes, aparecerão na história sim e, se você for como eu, vai chorar sempre pela dor dos que sofreram. Mas em muitas outras páginas, na maioria delas, acredito, você vai se ver com o livro nas mãos e sorrindo. E quando você terminar de ler, certamente se sentirá feliz.
Um livro para ser lido e para ser dado de presente para aqueles amigos que compartilham com a gente o amor pela leitura, porque, como a autora diz "talvez haja algum instinto secreto nos livros que os leve a seus leitores perfeitos". Talvez eu não seja a leitora perfeita, mas certamente sou uma das mais apaixonadas. E eu fico feliz que esse livro tenha chegado às minhas mãos.
"É isto que amo na leitura: uma pequena coisa o interessa num livro, e essa pequena coisa o leva a outro, e um pedacinho que você lê nele o leva a um terceiro. Isso vai em progressão geométrica - sem nenhuma finalidade em vista, e unicamente por prazer". pág.20
Mary Ann Shaffer; Annie Barrows. A sociedade literária e a torta de casca de batata. Rio de Janeiro: Rocco, 2009. 304 páginas
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Coração disparado
Para encerrar o ano (será que amanhã eu vou querer escrever aqui? não sei...) vou citar Adélia Prado, que tem o coração disparado, feito os nossos, quase sempre cheios de esperança. E que para o desejo de nosso coração o mar continue sendo sempre só uma gota.
"Ser brasileiro me determina de modo emocionante
e isto, que posso chamar de destino, sem pecar,
descansa meu bem-querer.
Tudo junto é inteligível demais e eu não suporto.
valha-me noite que me cobre de sono.
O pensamento da morte não se acostuma comigo.
estremecerei de susto até dormir.
E no entanto é tudo tão pequeno.
Para o desejo do meu coração
o mar é uma gota."
Adélia Prado. O coração disparado. Record, 1978.
"Ser brasileiro me determina de modo emocionante
e isto, que posso chamar de destino, sem pecar,
descansa meu bem-querer.
Tudo junto é inteligível demais e eu não suporto.
valha-me noite que me cobre de sono.
O pensamento da morte não se acostuma comigo.
estremecerei de susto até dormir.
E no entanto é tudo tão pequeno.
Para o desejo do meu coração
o mar é uma gota."
Adélia Prado. O coração disparado. Record, 1978.
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domingo, 20 de dezembro de 2009
Filandras
"Hoje estou melancólica e suspirosa como minha mãe, choveu muito, a água invadiu este porão de lembranças, bóiam na enxurrada a caminho do rio. Deixo que naveguem, pois não as perderei. O rio é dentro de mim".
Adélia Prado. Filandras. Rio de Janeiro: Record, 2008. pág. 39
***
Do Houaiss:
Filandras:
1 filamentos extensos e muito delgados
2 finos filamentos das teias de aranha
3 riscas filamentosas de certos tipos de mármore
4 fios brancos presentes nas chagas do gado cavalar
5 folhas marinhas que se prendem às quilhas das embarcações
Adélia Prado. Filandras. Rio de Janeiro: Record, 2008. pág. 39
***
Do Houaiss:
Filandras:
1 filamentos extensos e muito delgados
2 finos filamentos das teias de aranha
3 riscas filamentosas de certos tipos de mármore
4 fios brancos presentes nas chagas do gado cavalar
5 folhas marinhas que se prendem às quilhas das embarcações
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domingo, 13 de dezembro de 2009
O nosso.
"Não precisas de falar só porque vamos calados. A coisa mais difícil e mais bonita de partilhar entre duas pessoas é o silêncio".
Miguel Sousa Tavares. No teu deserto. Companhia das Letras, 2009. pág. 95
Miguel Sousa Tavares. No teu deserto. Companhia das Letras, 2009. pág. 95
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
So true...
"Sentia já que te perdia, mas nada podia fazer a não ser pôr-te os trunfos todos na mão. Fiquei sem ti, claro. Mas amei-te com paixão e passion bastantes para a minha vida inteira. Fui em ti o melhor de mim. É esse o teu peso, a minha calada vingança.
Talvez seja ele, ainda, o segredo do riso dela. Não há memória mais terrível do que a da pele; a cabeça pensa que esquece, o coração sente que passou, e a pele arde, invulnerável ao tempo."
Inês Pedrosa. A instrução dos amantes. Ed. Planeta, 1992. pág. 141
Talvez seja ele, ainda, o segredo do riso dela. Não há memória mais terrível do que a da pele; a cabeça pensa que esquece, o coração sente que passou, e a pele arde, invulnerável ao tempo."
Inês Pedrosa. A instrução dos amantes. Ed. Planeta, 1992. pág. 141
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Allein*
domingo, 18 de outubro de 2009
Just like Tita.
"Como vê, todos nós temos em nosso interior os elementos necessários para produzir fósforo. E além disso deixe-me dizer-lhe algo que nunca confiei a ninguém. Minha avó tinha uma teoria muito interessante: dizia que ainda que nasçamos com uma caixa de fósforos em nosso interior, não podemos acendê-los sozinhos porque necessitamos, como no experimento, de oxigênio e da ajuda de uma vela. Só que neste caso o oxigênio tem provir, por exemplo, do alento da pessoa amada. A vela pode ser qualquer tipo de alimento, música, carícia, palavra ou som que faça disparar um detonador e assim acender um dos fósforos. Por um momento nos sentimos deslumbrados por uma intensa emoção. Se produzirá em nosso interior um agradável calor que irá desaparacendo pouco a pouco conforme passe o tempo, até que venha uma nova explosão a reavivá-lo. Cada pessoa tem de descobrir quais são seus detonadores para poder viver, pois a combustão que se produz ao acender-se um deles é o que nutre de energia a alma. Em outras palavras, esta combustão é seu alimento. Se uma pessoa não descobre a tempo quais são seus próprios detonadores, a caixa de fósforos se umedece e já não podemos acender um só fósforo. Se isso chegar a acontecer, a alma foge de nosso corpo, caminha errante pelas trevas mais profundas tentando em vão encontrar alimento por si mesma, ignorando que só o corpo que deixou inerme, cheio de frio, é o único que podia lhe dar isso.
Se alguém sabia disso era ela. Infelizmente tinha de reconhecer que seus fósforos estavam cheios de mofo e umidade. Ninguém podia voltar a acender um só."
Se alguém sabia disso era ela. Infelizmente tinha de reconhecer que seus fósforos estavam cheios de mofo e umidade. Ninguém podia voltar a acender um só."
Laura Esquivel. Como água para chocolate. São Paulo: Martins Fontes, 1993. pág. 94-95
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Nada diferente.
Pelo menos não pra mim, por mais que eu tente. Às vezes, é como se fosse ontem ainda. E hoje, em plena W3 no fim de tarde, tocou essa música e meu coração apertou no sinal. E o nó está na garganta até agora. Porque mesmo que está tudo diferente, hein? Quem foi mesmo que quis assim? E ainda não consigo não acreditar que Todas as trilhas caminham pra gente se achar, viu?
Tudo Diferente
Maria Gadú
Composição: André Carvalho
Todos caminhos trilham pra a gente se ver
Todas as trilhas caminham pra gente se achar, viu
Eu ligo no sentido de meia verdade
Metade inteira chora de felicidade
A qualquer distância o outro te alcança
Erudito som de batidão
Dia e noite céu de pé no chão
O detalhe que o coração atenta
Todos caminhos trilham pra a gente se ver
Todas as trilhas caminham pra gente se achar, né
Eu ligo no sentido de meia verdade
Metade inteira chora de felicidade
A qualquer distância o outro te alcança
Erudito som de batidão
Dia e noite céu de pé no chão
O detalhe que o coração atenta
A qualquer distância o outro te alcança
Erudito som de batidão
Dia e noite céu de pé no chão
O detalhe que o coração atenta
Você passa, eu paro
Você faz, eu falo
Mas a gente no quarto sente o gosto bom que o oposto tem
Não sei, mas sinto, uma força que embala tudo
Falo por ouvir o mundo, tudo diferente de um jeito bate
Todos caminhos trilham pra a gente se ver
Todas as trilhas caminham pra gente se achar, viu
Eu ligo no sentido de meia verdade
Metade inteira chora de felicidade
A qualquer distância o outro te alcança
Erudito som de batidão
Dia e noite céu de pé no chão
O detalhe que o coração atenta
Tudo Diferente
Maria Gadú
Composição: André Carvalho
Todos caminhos trilham pra a gente se ver
Todas as trilhas caminham pra gente se achar, viu
Eu ligo no sentido de meia verdade
Metade inteira chora de felicidade
A qualquer distância o outro te alcança
Erudito som de batidão
Dia e noite céu de pé no chão
O detalhe que o coração atenta
Todos caminhos trilham pra a gente se ver
Todas as trilhas caminham pra gente se achar, né
Eu ligo no sentido de meia verdade
Metade inteira chora de felicidade
A qualquer distância o outro te alcança
Erudito som de batidão
Dia e noite céu de pé no chão
O detalhe que o coração atenta
A qualquer distância o outro te alcança
Erudito som de batidão
Dia e noite céu de pé no chão
O detalhe que o coração atenta
Você passa, eu paro
Você faz, eu falo
Mas a gente no quarto sente o gosto bom que o oposto tem
Não sei, mas sinto, uma força que embala tudo
Falo por ouvir o mundo, tudo diferente de um jeito bate
Todos caminhos trilham pra a gente se ver
Todas as trilhas caminham pra gente se achar, viu
Eu ligo no sentido de meia verdade
Metade inteira chora de felicidade
A qualquer distância o outro te alcança
Erudito som de batidão
Dia e noite céu de pé no chão
O detalhe que o coração atenta
domingo, 4 de outubro de 2009
Talento para viajar
"Essa é a verdade da viagem. Eu não sabia.
A vida nos ensina algumas coisas. Que a vida é o caminho e não o ponto fixo no espaço. Que nós somos feito a passagem dos dias e dos meses e dos anos, como escreveu o poeta japonês Matsuo Bashô num diário de viagem, e aquilo que possuímos de fato, nosso único bem, é a capacidade de locomoção. É o talento para viajar". (pág. 125)
"A viagem sempre é pela viagem em si. É para ter a estrada outra vez debaixo dos pés. Há sempre um E SE em algum lugar". (pág. 82)
Adriana Lisboa. Rakushisha. Ed. Rocco, 2007.
A vida nos ensina algumas coisas. Que a vida é o caminho e não o ponto fixo no espaço. Que nós somos feito a passagem dos dias e dos meses e dos anos, como escreveu o poeta japonês Matsuo Bashô num diário de viagem, e aquilo que possuímos de fato, nosso único bem, é a capacidade de locomoção. É o talento para viajar". (pág. 125)
"A viagem sempre é pela viagem em si. É para ter a estrada outra vez debaixo dos pés. Há sempre um E SE em algum lugar". (pág. 82)
Adriana Lisboa. Rakushisha. Ed. Rocco, 2007.
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